Santa Teresa Benedita da Cruz: Fé e Coragem em Meio ao Holocausto
Celebramos a festa litúrgica de SANTA TERESA BENEDITA da CRUZ (9), mais popularmente conhecida por seu nome secular: EDITH STEIN, filósofa polonesa e atéia, professora e conferencista que se converteu à fé e se tornou religiosa carmelita descalça na Alemanha; mártir, assassinada nas câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau nos anos da perseguição dos nazistas contra a Igreja e contra os judeus, sendo ela própria de descendência judaica.
09.08.2024 - 01:38:00 | 17 minutos de leitura

Apenas 56 anos depois de seu assassinato em defesa da fé, a imagem da filósofa polonesa Edith Stein, que se tornou religiosa com o nome de “Teresa Benedita da Cruz”, tremulava sozinha na fachada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, numa cerimônia preparada especialmente em honra dela. Elevada às honras dos altares, a canonização de Edith se tornou um assunto muito delicado e complexo, pois a carmelita era, ao mesmo tempo, judia e católica, mártir e vítima de uma estratégia política sangrenta e desumana. De sua parte, muitos judeus se revoltaram com a atitude da Igreja Católica, e consideraram a canonização de Stein como uma provocação à religião dos patriarcas de Israel. Outros, mesmo de dentro da Igreja, criticaram a “Congregação para as Causas dos Santos” pela definição da nova santa como “mártir da fé”, enquanto devia ser considerada, na verdade, apenas como uma filósofa e escritora assassinada no conturbado cenário político de meados do século XX. Alguns, por fim, chegaram a acusar Edith de ter buscado a fé cristã apenas como um “escudo” contra o ódio de Hitler aos judeus, não se tratando ela de uma autêntica “convertida”
O caso de Edith Stein, no entanto, não é único: no tocante à sua tradição judaica e à sua fidelidade à fé cristã, temos, por exemplo, o caso de São Paulo de Tarso, que como dissemos no dia 24 de janeiro, não abandonou o judaísmo ao tornar-se cristão, obrigando-nos, por isto, a nos referirmos à sua mudança de vida não como “conversão”, mas como “vocação”... Depois, no dia 31 de maio, quando celebramos Santa Joana D’Arc (+1431), tratamos da jovem francesa como uma “mártir da fé” porque foi considerada bruxa e visionária, inclusive por teólogos e bispos católicos, não tendo sido morta na fogueira apenas por razões políticas que envolviam os interesses da França e da Inglaterra. Como no caso de Edith, muitos hagiógrafos não tratam Joana como uma legítima “mártir”, mas apenas como uma moça santa que foi morta por outros motivos que os religiosos... Temos também o caso de São Maximiliano Maria Kolbe (+1941), contemporâneo de Edith, que celebraremos daqui alguns poucos dias, no dia 14 de agosto: como ela, também ele foi acusado de ser um “falso” – ela, uma falsa convertida, ele, um falso mártir – alguém que, não podendo mais suportar os terríveis tormentos da guerra, preferiu a morte que os sofrimentos deste mundo fugaz, quase como que um suicida.
No diz respeito a Edith Stein, ela é de fato a representante de diversas “sínteses”, como se referiu a ela o papa São João Paulo II ao canonizá-la. Defini-la, pois, com uma única palavra, é uma pretensão perigosa e empobrecida...
Edith Theresa Hedwing Stein, como se chamou em seu nascimento, viu pela primeira vez a luz deste mundo no dia 12 de outubro de 1891, em meio às celebrações do “Yom Kippur”, o “Dia do Perdão”, uma das festas mais antigas e importantes do calendário judaico (cf. Lv 16; 23,26-32). Caçula dentre 11 irmãos, ela nasceu em Breslávia, na província da Baixa Silésia, na Polônia, filha de Siegfried e de Augusta Courant Stein, judeus comerciantes de madeira. Órfã de pai com apenas dois anos de idade, Edith – como a chamaremos por enquanto – foi educada por sua enérgica mãe, que além da instrução dos filhos, cuidou também de administrar pessoalmente os negócios da família, naqueles tempos em que o lugar da mulher na sociedade era junto ao fogão ou aos pés do marido, para servi-lo...
Contrariando os preconceitos sobre o tino da mulher para os negócios, a mãe da pequena Edith conseguiu não apenas sustentar o comércio herdado do falecido esposo, mas também quitar todas as dívidas que ele havia deixado e tornar sua empresa ainda mais próspera; ela pôde, portanto, oferecer aos filhos as melhores condições de estudo possíveis, que muito convinham às ambições de sua caçula, desde pequena sedenta pelo conhecimento e motivada por ambições que em nada combinavam com a organização do mundo daquela época: “Nos meus sonhos”, registrou Edith em seu diário espiritual, “eu vislumbrava sempre um futuro brilhante diante de mim; sonhava com a felicidade e a glória, pois estava convencida de que era destinada a algo de grande e que não era absolutamente feita para o quadro acanhado e burguês no qual havia nascido”.
Ainda bastante pequena, Edith revelou ser dotada de um temperamento forte. Educada pela mãe nos princípios do judaísmo, acompanhava-a à sinagoga mais por obediência que por convicção pessoal; era uma criança muito ativa e independente, de caráter inabalável e de uma inteligência brilhante e precoce; por toda sua vida, aliás, ela seria a primeira de sua classe... Nos anos de sua adolescência, no entanto, Edith foi viver algum tempo na casa de Else, uma de suas irmãs, que morava em Hamburgo, a segunda maior cidade alemã, onde acabou se distanciando da religião e enfrentou uma duríssima crise de fé. Muito confusa internamente, ela abandonou também os estudos e declarou atéia, “com plena consciência e por livre decisão”, como ela diria alguns anos depois, afirmando ainda: “meus anseios de conhecer a Verdade eram minha única oração”.
Aos 14 anos, Edith decidiu voltar aos estudos, e não parou mais até alcançar a universidade, onde se inscreveu em três cursos de uma só vez: Filosofia, história e língua alemã. Ela contava somente seus 20 anos de idade naquele tempo, e impressionava a todos, pois a sociedade da época já considerava muito uma mulher se inscrever em um curso universitário, quanto mais em três. E como se não bastasse, ela ainda aproveitava o tempo que lhe sobrava para aprender noções básicas de psicologia... Apaixonada pela filosofia, em 1913 Edith se mudou para Göttingen, onde se tornou aluna de Edmundo Husserl, pai da fenomenologia, corrente filosófica que visa estudar a essência das coisas, dos fenômenos, e o modo como estas são percebidas pela consciência.
Com a declaração da “Primeira Guerra Mundial” em 1914, Edith logo se alistou em Mährisch-Weisskirchen como enfermeira voluntária da Cruz Vermelha alemã, chegando a receber depois do fim da guerra uma condecoração pelos serviços prestados aos feridos... Em 1915 ela conquistou sua graduação acadêmica e, em 1916, com máximo louvor, o título de Doutora em fenomenologia. Ela chegou a lecionar em Breslau e por dois anos – de 1916 a 1918 – foi assistente de Husserl em Freiburg. Apesar dos seus esforços para se tornar professora nas universidades de Göttingen, de Freiburg ou de Kiel, foi rejeitada simplesmente por ser mulher, apesar de ser fluente em nada menos que seis idiomas.
Em 1921 Edith Stein teve contato com o “Livro da Vida”, obra autobiográfica da carmelita espanhola Teresa de Ávila (+1582), e se viu completamente apaixonada pela santa e pela fé católica. Declarou, pois, o desejo de receber o batismo e os sacramentos da comunhão e da crisma, o que provocou um tão profundo aborrecimento no coração de sua família, que muitos parentes – inclusive sua própria mãe – chegaram a cortar as relações com ela por longos anos... No tocante à leitura da obra de Santa Teresa, Edith declarou: “Comecei a ler e fiquei tão arrebatada que não consegui parar até terminá-lo. Quando o fechei, disse comigo mesma: ‘esta é a Verdade’”... Assim convencida, no dia seguinte após a leitura da autobiografia de Santa Teresa, Edith adquiriu o “Catecismo da Igreja Católica” e o “Missal Romano”, e participou pela primeira vez da Santa Missa. Ela já havia visitado um templo católico antes, porém, na ocasião, sua presença naquele recinto tinha apenas interesse artístico e histórico. Agora, Cristo, por meio de seus santos, havia vencido sua descrença e feito desmoronar sua busca pela Verdade baseada exclusivamente na compreensão racional, pois entendeu que a Verdade não era uma teoria, mas uma pessoa, o próprio Jesus... Naquele mesmo dia Edith procurou o padre após a Santa Missa e pediu para ser batizada. O rito foi celebrado algum tempo depois, no dia 1º de janeiro de 1922, quando ela também recebeu a Eucaristia. Transcorrido um mês, ela recebeu também o sacramento da Confirmação.
No imediato momento de sua conversão à fé cristã, Edith se sentiu atraída pela vida das religiosas carmelitas descalças, monjas de clausura, e manifestou seu desejo de se tornar uma delas, não havendo outro homem senão o Cristo que a encantava. Seu confessor, no entanto, considerando muito precoce e radical sua mudança de vida, aconselhou-a a dedicar-se, na condição de leiga, ao ensino das moças do “Instituto Santa Maria Madalena”, em Spira. Ela estava decidida, entretanto, a viver como uma verdadeira carmelita: voluntariamente pronunciou os votos da pobreza, da castidade e da obediência, e, chegava a passar horas em adoração diante do Santíssimo Sacramento; tornou-se muito devota do Sagrado Coração de Jesus e da Bem-Aventurada Virgem Maria, como não poderia ser diferente... Às suas alunas jamais pretendeu ensinar apenas história e língua alemã, mas estava também empenhada em auxiliá-las no caminho de Cristo.
De 1928 a 1933, Edith se tornou conferencista, e percorreu diversas cidades da Europa ensinando sobre as virtudes da Virgem Maria como modelo para a mulher católica no mundo moderno e na família. Seu ensino, no entanto, era considerado radical e “feminista”: “A mulher deve estar ao lado do homem, não no lugar dele, e nem mesmo um degrau abaixo (...). Antes de ser um apoio para os outros, é preciso que a mulher esteja primeiro, ela mesma, firmemente ancorada nas suas profundezas”... Entre uma conferência e outra, Edith traduziu para o alemão algumas obras católicas – como as “Quaestiones Disputatae de Veritate”, do Doutor da Igreja Santo Tomás –, e chegou a publicar algumas obras inéditas, como “Uma investigação sobre o Estado” e “A fenomenologia de Husserl e a Filosofia de Sto. Tomás de Aquino”... Convém também dizer, em 1932 Edith conquistou uma de suas maiores ambições: tornou-se docente no “Instituto Alemão de Pedagogia Científica”, em Münster, onde passou a ensinar antropologia. Mas seu sonho durou pouco, pois alguns meses depois, em 1933, ascendeu ao poder Adolph Hitler e seu “Partido Nacional-Socialista”, cujos adeptos eram popularmente conhecidos como “nazistas”...
Como parte da política de Hitler, a lei proibia que judeus assumissem cargos públicos, e os diretores do Instituto de Pedagogia Científica se viram obrigados a demitir Edith, sendo que ela também foi impedida de proferir suas conferências... Foi então que a providência de Deus fê-la recorrer ao mosteiro das monjas carmelitas de Colônia, onde ela foi admitida no dia 14 de outubro de 1933, assumindo o nome religioso de irmã TERESA BENEDITA da CRUZ. Ela contava seus 43 anos de idade quando fez seus primeiros votos com o hábito carmelita, e foi somente neste período que sua mãe voltou a comunicar-se com ela por meio de cartas. A senhora Augusta Courant faleceu em 1936, abrindo a oportunidade que Rosa, irmã de Edith, esperava para também poder abraçar a fé cristã e tornar-se leiga consagrada no mesmo convento das carmelitas de Colônia. Edith e Rosa jamais se separariam, até a morte.
Apesar de todo seu conhecimento filosófico ter pouco valor na vida prática das monjas carmelitas, irmã Teresa Benedita da Cruz obteve permissão para ainda fazer algumas publicações, particularmente sobre a história do Carmelo e sobre outras leituras piedosas, como seus estudos sobre São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila. Ela escreveu também “A Ciência da Cruz”, que veio a se tornar sua mais renomada obra, a despeito de ter ficado incompleta. Por meio de sua “Ciência da Cruz”, Edith Stein, a irmã Teresa Benedita, nos ensina: “A fé reduz a razão ao nada, levando-a a reconhecer sua incapacidade diante da grandeza de Deus. A esperança esvazia a memória, levando-a a ocupar-se com algo que não possui. ‘Porque o que alguém vê, como é que ainda espera?’ Ela nos ensina que devemos esperar tudo de Deus e nada de nós mesmos ou das criaturas… O amor, enfim, liberta a vontade de todas as coisas, obrigando-a a amar a Deus acima de tudo, o que só é possível se excluídos os desejos das coisas criadas”.
Ao contrário do que poderíamos supor, as grades do Carmelo não ofereciam nenhuma segurança às duas irmãs Stein, visto que para Hitler sua conversão ao cristianismo nada significava, pois o “sangue judeu” que corria nas veias delas era um perigo para a supremacia e para a pureza da “raça ariana”. Para bem da verdade, o plano-mestre de Hitler – que dizia crer num “Jesus ariano” –, incluía apagar da face da terra o cristianismo tal como o conhecemos, campanha que estava disposto a levar adiante assim que cessassem os conflitos na Europa e ele conseguisse matar todos os judeus, os ciganos, os negros, os anões, os deficientes físicos e mentais e qualquer um que se opusesse ao seu governo, inclusive os católicos, alguns dos quais foram beatificados e muitos outros encontram-se em processo de beatificação... Por conseguinte, devido ao perigo que Rosa e Edith corriam no Carmelo de Colônia, especialmente a partir de 1938, quando as leis contra os judeus se tornaram ainda mais graves, ambas foram são transferidas para o Carmelo de Echt, na Holanda.
A “Segunda Guerra Mundial” teve início em 1939, e um ano depois os nazistas de Hitler ocuparam justamente a Holanda. Todos os judeus locais, e mesmo os católicos de descendência judia, foram presos. Rosa Stein e irmã Teresa Benedita da Cruz foram aprisionadas em 1942, apesar dos esforços para fugissem para a Suíça. Teresa recebeu no seu hábito religioso a estrela de Davi e o seu número de prisioneira: 44.070. Ela se destacou dentre os demais prisioneiros pela serenidade demonstrada a todo momento, chegando inclusive a consolar os desesperados e a exortá-los para que se confiassem a Deus: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco”, ela dizia aos demais... Quanto à família Stein, por sua vez, ela se dispersou: alguns parentes de Rosa e de Edith foram presos e mortos nos campos de concentração, outros conseguiram fugir para os Estados Unidos e para a Colômbia, na América do Sul...
Do dia 02 ao dia 09 de agosto de 1942, Rosa Stein e irmã Teresa Benedita foram levadas de um campo de concentração a outro: primeiro passaram por Amersfoort, depois por Westerbork e, por fim, por Auschwitz, na Polônia, onde as duas foram assassinadas na câmara de gás por ódio à fé, como uma represália dos nazistas aos bispos holandeses, que se pronunciaram publicamente contra a prisão dos judeus em julho daquele mesmo ano. O corpo de Teresa, assim como o de milhões de judeus, foi queimado, e suas cinzas espalhadas ao vento... Apesar dos problemas envolvendo debates sobre se ela teria sido uma legítima “mártir católica” ou uma vítima da guerra nazista contra os judeus, Edith Stein “representa a síntese dramática das feridas do nosso século, e ao mesmo tempo proclama a esperança de que é a cruz de Jesus Salvador que ilumina a história”, como bem resumiu o papa São João Paulo II ao beatificá-la, no dia 1º de maio de 1987... Canonizada no dia 11 de outubro de 1988, o mesmo Santo Padre se referiu a ela como “filha de Israel e filha fiel da Igreja”, uma “mártir por amor”, pois meses antes de ter sido presa pelos nazistas, respondeu a quem ofereceu-lhe a oportunidade de se salvar: “Por que deveria eu ser excluída [da mesma sorte de meus irmãos judeus]? A justiça não consiste acaso no fato de eu não obter vantagem do meu batismo? Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e irmãs, num certo sentido a minha vida é destruída”.
Candidata a se tornar a próxima “Doutora da Igreja”, Santa Teresa Benedita da Cruz, ou “Santa Edith Stein”, como é geralmente conhecida, foi declarada, no dia 1º de outubro de 1999, co-patrona de toda a Europa, ao lado de Santa Brígida da Suécia (+1373) e de Santa Catarina de Sena (+1380), dividindo o co-patronato com São Bento de Núrsia (+ca.547)... “Hoje”, declarou São João Paulo II por meio da Carta Apostólica “Spes Aedificandi”, “vemos Teresa Benedita da Cruz reconhecer no seu testemunho de vítima inocente, por um lado a imitação do Cordeiro imaculado e a protesta levantada contra todas as violações dos direitos fundamentais da pessoa e, por outro, o penhor daquele renovado encontro de judeus e cristãos, que na linha auspiciada pelo Concílio Vaticano II, está a conhecer uma prometedora fase de abertura recíproca. Declarar hoje Edith Stein co-Padroeira da Europa significa colocar no horizonte do Velho Continente um estandarte de respeito, de tolerância e de hospitalidade que convida os homens e as mulheres a entenderem-se e a aceitarem-se, para além das diferenças étnicas, culturais e religiosas, formando assim uma sociedade verdadeiramente fraterna”.
Particularmente hoje, neste dia dedicado a honrar sua saudosa memória, recorremos ao patrocínio desta Santa Teresa, que ao lado de suas predecessoras homônimas – a santa fundadora de Ávila e a missionária enclausurada de Lisieux –, brilha como uma estrela de fulgor sem igual no coração do Carmelo... De junto de Cristo, ela rogue por nós, por todo o mundo, para que reine a paz entre os povos e o mútuo respeito entre os que pensam e creem diferente.
OREMOS (do “Próprio dos Santos” do Missal Carmelita): “Senhor, Deus dos nossos pais, que conduzistes a mártir Teresa Benedita ao conhecimento do vosso Filho crucificado e à sua imitação até à morte, concedei que, pela sua intercessão, todos os homens conheçam o Salvador, Jesus Cristo, e por Ele cheguem à perpétua visão do vosso rosto. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.”
In Corde Iesu et Mariae, semper!
Frei Fernando Martins, M.C.
Anexo: Meditação de Santa Edith Stein sobre a Virgem Santíssima:
“Maria, hoje permaneci contigo sob a Cruz, e jamais sentira tão claramente que foi sob a Cruz que te tornaste nossa Mãe... Como a fidelidade de uma mãe da terra não escutaria solícita a última vontade do Filho? Mas tu, tu eras a serva do Senhor; o ser e a vida do Deus feito Homem estavam inteiramente inscritos no teu ser e na tua vida. Foi assim que tomaste os teus no teu coração, e foi com o sangue de teus sofrimentos que resgataste cada alma para uma vida nova... Tu nos conheces a todos: nossas feridas, nossas chagas; tu conheces também o esplendor celeste que o amor de teu Filho quer difundir sobre nós na claridade eterna. Assim, guia solícita nossos passos! Nem um preço é para ti muito alto para conduzir-nos ao fim. Mas aqueles que escolheste para te seguir, para te rodear, um dia, perto do trono eterno, devem permanecer aqui contigo sob a Cruz; é com o sangue de teus sofrimentos que devem encontrar o esplendor celeste das almas preciosas que o Filho de Deus lhes confiou em herança.”
P.s.: Há um filme muito comovente que trata da vida dramática e do martírio de Santa Teresa Benedita da Cruz. Chama-se “A Sétima Morada”, e foi lançado em 1996. Contando com a atriz Maia Morgenstern no papel principal – a mesma que interpretou a Virgem Maria no filme “Paixão de Cristo” de Mel Gibson –, a produção tem pouco mais de 1h45m de duração, e pode ser encontrada na íntegra no “YouTube”, em versão dublada em português.
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