REPAM-BRASIL APROFUNDA REFLEXÃO SOBRE COMUNICAÇÃO E APRESENTA RUMOS ESTRATÉGICOS
Na manhã deste sábado, 20 de setembro, comunicadores da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) se reuniram em um encontro online para analisar o estado atual da comunicação na rede e nos regionais, além de aprofundar o debate sobre os rumos estratégicos para o próximo triênio.
22.09.2025 - 07:55:00 | 5 minutos de leitura

A reunião, conduzida via plataforma Zoom, contou com a presença de Camila Del Nero, Paulo Martins, Joelma Viana e Pe. Renan Dantas, e foi marcada por escuta, partilha e um chamado à corresponsabilidade diante dos desafios comunicacionais da Amazônia.
O encontro começou com a apresentação de Camila, que destacou os principais pontos do Plano Estratégico de Comunicação 2025–2027, situando-o dentro da missão mais ampla da REPAM. Na sequência, Paulo conduziu um momento de espiritualidade com a leitura do poema Silêncio Guerreiro, de Márcia Cambeba. O texto trouxe a dimensão simbólica do silêncio indígena, não como ausência, mas como resistência e sabedoria, lembrando aos comunicadores que escutar é tão fundamental quanto falar.
Ao longo da reunião, foram compartilhadas reflexões sobre os avanços e lacunas da comunicação na rede. Joelma e Pe. Renan chamaram atenção para o fato de que, embora haja forte investimento no audiovisual com vídeos e transmissões ao vivo, ainda falta fortalecer os espaços de participação das bases locais. Observou-se que a comunicação eclesial permanece muito centrada nos templos, enquanto as realidades concretas dos povos e territórios amazônicos ainda não encontram a devida visibilidade. Pe. Renan destacou também as fragilidades da comunicação interna entre dioceses, que dificultam o diálogo e a troca de informações importantes.
A reunião deu espaço para a apresentação da pesquisa realizada entre fevereiro e março deste ano, que avaliou a comunicação da REPAM. A maioria dos respondentes a considerou “boa a excelente”, reconhecendo clareza nas mensagens, cobertura de eventos e materiais produzidos. No entanto, metade dos participantes apontou que a comunicação ainda não atende plenamente às necessidades locais, gerando distanciamento entre o discurso institucional e as demandas territoriais. Entre as fragilidades citadas estão a falta de participação das bases, a linguagem pouco acessível e a centralização das decisões comunicacionais.
Os dados da pesquisa também revelaram que os canais mais eficazes de comunicação continuam sendo o WhatsApp, as redes sociais e o site, enquanto a rádio tem menor relevância no contexto atual. Ficou evidente ainda que, embora a comunicação da REPAM reflita os desafios amazônicos, muitas vezes as populações locais não se sentem devidamente representadas. No caso do Mato Grosso, os comunicadores relataram dificuldades adicionais: baixo índice de leitura, forte polarização política e uma infraestrutura precária para o acesso à informação, sobretudo em áreas ribeirinhas e indígenas.
Nesse cenário, o encontro reafirmou a importância de um eixo espiritual sólido dentro da Pastoral da Comunicação (PASCOM), capaz de sustentar a coesão e a comunhão entre os agentes, reduzindo resistências e fortalecendo a missão. Também foi ressaltada a necessidade de formações básicas em comunicação para padres, seminaristas e religiosos, de modo a ampliar a compreensão e o apoio da Igreja local à REPAM.

Com base nos resultados, foram revisitados os marcos situacional, iluminativo e operacional do novo plano. Entre as forças da comunicação da REPAM estão a clareza das mensagens, a frequência de publicações, a identidade definida e a relevância dos temas abordados. Já as fraquezas passam pela baixa participação das bases, pela linguagem pouco acessível e pela centralização de processos. Como oportunidades, foram citadas as parcerias com redes católicas e sociais, a formação de comunicadores locais e o crescente interesse internacional pela Amazônia. As ameaças mais evidentes incluem a desinformação, a dificuldade de acesso à internet e o risco de distanciamento da realidade territorial.
O encontro também detalhou os objetivos estratégicos que devem nortear a comunicação da REPAM até 2030: promover diálogo sinodal e intercultural, desenvolver uma comunicação integrada e descentralizada, fortalecer a visibilidade das causas socioambientais, ampliar a rede de comunicadores com protagonismo local, enfrentar a desinformação e garantir sustentabilidade financeira.
Para o triênio 2025–2027, as ações prioritárias incluem a criação de diretrizes para uma comunicação sinodal e territorializada, a implantação de um sistema colaborativo de planejamento editorial, a realização de rodas de escuta comunitária, a produção de campanhas anuais conectadas a eventos locais e globais, como a COP30, além da reformulação do site e redes sociais da rede. Estão previstos também encontros anuais da rede de comunicadores, guias e oficinas sobre comunicação responsável, mecanismos de monitoramento de Fake News e estratégias de captação de recursos para assegurar a sustentabilidade da comunicação.
Entre os principais desafios, o grupo destacou a necessidade de rapidez na difusão de informações para combater a desinformação, o engajamento contínuo dos membros da rede, o financiamento de atividades de formação e encontros e a superação de barreiras logísticas para alcançar territórios mais remotos. Houve também sugestões de ampliar a articulação com redes parceiras, fortalecer a presença da REPAM em eventos eclesiais nacionais e ajustar a linguagem comunicacional para diferentes públicos, tornando-a mais acessível e próxima.
O encontro foi encerrado com agradecimentos e o compromisso de disponibilizar o plano atualizado em formato digital para todos os envolvidos. Ficou clara a intenção de avançar na operacionalização das ações previstas, com monitoramento constante e avaliações periódicas.
O novo Plano de Comunicação foi reafirmado como estratégico para a missão da REPAM, não apenas como ferramenta técnica, mas como expressão da própria identidade amazônica. A comunicação, no coração da rede, é chamada a ser espaço de encontro, instrumento de visibilidade e força de incidência política e social em defesa da floresta e de seus povos.
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