ENCONTRO DO CLERO E MISSA DOS SANTOS ÓLEOS E RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS SACERDOTAIS NA DIOCESE DE JUÍNA
22.03.2024 - 14:50:00 | 9 minutos de leitura

Entre os dias 18 a 20 de março, a Diocese de Juína se reuniu na Paróquia Sagrada Família, em Colniza, que fica a 312,3 km da sede da diocese em Juína, para o "Encontro do Clero Diocesano e Missa dos Santos Óleos e Renovação das Promessas Sacerdotais," momentos de reflexão e renovação espiritual. O clero diocesano, composto por padres, religiosos, diáconos permanentes e transitórios, e também alguns seminaristas da Diocese de Juína, uniu-se em um encontro marcado por momentos de espiritualidade, diálogo fraterno e celebração da fé.
Reunião do Clero Diocese de Juína - Fotos: Pascom Sagrada Família
No primeiro dia (18), foi um momento de chegada dos padres, diáconos e seminaristas diocesanos, acolhidos pela comunidade presente, seguido de diálogos e momentos de fraterniade. No segundo dia do encontro (19), ocorreram reencontros, conversas, reuniões e a Missa Solene, o encontro que teve início com a oração das Laudes na igreja matriz - Sagrada Família, administrada pela Congregação dos Oblatos de São José - Filhos de São José Marello, há 25 anos. Após a reunião do clero durante todo o dia, à noite, a comunidade participou da Missa da Solenidade de São José, chefe da Sagrada Família, presidida pelo Bispo Diocesano.

Missa Solenidade de São José - Fotos: Pascom Sagrada Família
No último dia (20) do encontro, continuaram as reuniões, diálogos e preparação para a Missa Solene dos Santos Óleos e Renovação das Promessas Sacerdotais, presidida por Dom Neri José Tondello. A igreja estava repleta de fiéis testemunhando o compromisso renovado dos padres com sua vocação e missão na comunidade. A Missa do Crisma, também chamada de Missa dos Santos Óleos ou da Unidade, é uma celebração na qual são abençoados os óleos que serão usados nos sacramentos do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Também são renovadas as promessas sacerdotais feitas no dia da ordenação.



Missa dos Santos Óleos e Renovação das Promessas Sacerdotais - Fotos: Pascom Sagrada Família
Como foi feita em nossa diocese, o bispo pode antecipar a celebração. Em algumas dioceses, ela é celebrada na Terça-feira Santa. Encerrado o rito, os padres retornam às suas comunidades levando consigo uma porção dos óleos para a prática dos sacramentos dos fiéis. É a última missa antes do tríduo pascal, uma celebração cheia de significado.
Quais são os Santos Óleos e para que servem?
Santos Óleos - Foto:Pascom Sagrada Família
- Óleo do Crisma: uma mistura de óleo e bálsamo, significa plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado no sacramento da Crisma e do sacerdócio, para ungir os "escolhidos" que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus.
- Óleo dos Catecúmenos: utilizado antes do rito da água no Batismo, significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno.
- Óleo dos Enfermos: usado no sacramento dos enfermos, significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive, a morte, se for vontade de Deus. O doente é ungido na fronte e nas palmas das mãos.
Durante a celebração, Dom Neri José Tondello compartilhou palavras inspiradoras sobre a importância da vocação sacerdotal e os desafios enfrentados pelos padres em sua missão, proporcionando um momento de profunda reflexão e encorajamento para todos os presentes.
O Encontro do Clero e a Missa dos Santos Óleos foram momentos de grande significado e renovação para a Diocese de Juína. Sob a presidência de Dom Neri José Tondello, os participantes foram fortalecidos em sua missão de servir a Deus e ao seu povo com alegria e fidelidade. Que os ensinamentos compartilhados e as experiências vivenciadas durante esses dias possam inspirar e fortalecer a comunidade católica local, impulsionando todos a viverem a sua fé de forma ainda mais vibrante e comprometida.Segue a íntegra das palavras de Dom Neri José Tondello na Missa dos Santos Óleos e Renovação das Promessas Sacerdotais:
Dom Neri José Tondello - Foto:Pascom Sagrada Família
"O sucesso da vida do padre depende da disponibilidade dele para o atendimento, do treino para a paciência, bondade, amor, bom humor, gratuidade, abnegação, desprendimento, simplicidade e humildade. Depende também da sua alegria, de caminhar junto com seu povo, de ser compassivo, de sofrer com o sofrimento dos outros, de saber estar junto dos pobres, de atender os doentes, de acompanhar o luto das pessoas e de fazer do luto uma resistência e luta para novos dias dos familiares sofredores. O sucesso do padre depende de como as pessoas se aproximam de Deus, pois a salvação não vem de Jerusalém, a grande cidade, mas da periferia, de Belém, e vem de Nazaré, na periferia, não está no centro; o meu ser padre nasce em Belém, portanto é preciso retornar a Belém. O sucesso do padre depende da alegria em celebrar a Santa Eucaristia, da alegria e entusiasmo na realização do Sacramento do Batismo, e da alegria e empenho na preparação dos casais para o Matrimônio.
O sucesso depende de quanto ele reza, de como silencia diante do sacrário, diante da adoração a Jesus na Eucaristia, da oração simples do santo terço; depende do estudo, principalmente do conhecimento atualizado e permanente da Sagrada Escritura, depende de amizades sadias, amizades maduras com pessoas esclarecidas na fé, pessoas com sentido de pertença à Igreja de Jesus Cristo. A felicidade do padre será plena mediante a escolha de vida que fez; ele próprio é o patrão de sua escolha e decisão, não há ninguém que exerça pressão sobre ele, nem bispo, nem provincial, tampouco o povo de Deus, mas é o próprio presbítero que põe sobre si mesmo uma carga a ser carregada ou uma série de comportamentos que deve assumir para lograr êxito; o presbítero é o seu único patrão, ele pode viver das suas desumanas exigências do seu próprio eu; a promessa de pobreza quer dizer: dar-se por inteiro na gratuidade, consumir sua vida pelas causas do povo; a promessa de castidade quer dizer: uma vida indivisa na integridade, pureza de coração, honestidade e bondade; a promessa da obediência quer dizer: estar pronto para amar e servir, aonde mandar eu irei, seu amor eu não vou suportar, quero anunciar para o mundo ouvir que Jesus é nosso salvador. Qual a recompensa reservada ao padre? A ligação do povo de Deus unido ao Senhor, uma comunidade unida, fervorosa, animada, madura que sabe a quem seguir: Jesus Cristo; as pessoas rezam ou vão à Igreja por causa de Deus, o centro da vida cristã é Jesus, por Ele damos nossa vida.
O padre, um homem pascal, o padre, um homem inserido na comunidade, numa paróquia, carrega a mística de Jesus, sacerdote, profeta e Bom Pastor, ressuscitado e vivo no meio da sociedade; o padre é o animador e coordenador de uma comunidade de fé e amor, anima e coordena todo o povo de Deus que habita neste território paroquial, mas pergunto também eu: E quem vai animar o padre? O padre se encarna, entra na história e na vida de todos nós, tem família como nós, permanece por um tempo neste mundo como todos nós, faz a transitoriedade na história como todos nós, também participa da história, vive e convive conosco, sente o prazer de estar em companhia e na amizade com as pessoas deste mundo, ninguém dá conta sozinho de nada, nem a família, nem a escola, nem o padre; sente a necessidade da proximidade da família, das pessoas, dos paroquianos, dos jovens, dos doentes, dos velhinhos, das crianças da catequese, dos trabalhadores, dos colaboradores, das pastorais e dos movimentos, enfim, uma vida em movimento o tempo todo, movimento dynamis, ou seja, movimento espiritual, sempre cercado de carinho e atividades, muito diversas, molda em si outro Cristo para o mundo, alter Christi.
A criança de Belém se encarna a partir da exclusão; a sociedade da época a exclui, não há lugar para ela na cidade, mas os magos de outra crença, ou religião, a acolhem, a adoram com os melhores presentes; é acolhida pelos pastores, os mais desfavorecidos da sociedade, são desprezados e fedorentos, são eles que a acolhem e cuidam de Jesus; Jesus se encarna desta forma: em um estábulo, entre animais, ainda criança, foi levado por José e Maria para o Egito, para protegê-lo da morte que Herodes queria infligir aos meninos com menos de quatro anos; aqui lembro com carinho e gratidão os 160 anos da Congregação dos Oblatos de São José, e mais de 40 anos na Diocese de Juína, presentes nesta paróquia Sagrada Família; foi em São José que José Marello entendeu sua missão de salvar Jesus fora de casa; vieram para Juína, Aripuanã e Colniza para salvar Jesus aqui, padres salvadores de Jesus, muito obrigado pelo cuidado por 25 anos nesta paróquia.
Encarnado, o padre se incultura, aprende os costumes no lugar da missão, os modos, as formas de trabalhar e interpretar os sinais dos tempos; a cultura do local está impregnada da vida e da beleza, da fragilidade e da força, do cuidado e da docilidade; o encarnado é o que tem de mais valioso e humano na vida do padre; nada escapa de Deus quando decide tornar-se humano para salvar a própria humanidade; o padre encarnado, do jeito de Jesus, assume o próximo, o vizinho, aquele que mais necessita de ajuda; podemos tocar a realidade das pessoas e curar suas feridas; o padre na paróquia é convidado a tornar-se cada vez mais próximo, de modo que seus paroquianos possam ver, sentir e perceber, no ministro ordenado, a presença do próprio Deus"
Dom Neri José Tondello - Bispo Diocesano de Juína - MT20, março de 2024 - Missa dos Santos Óleos e Renovação das Promessas Sacerdotais















Santos Óleos - Foto:Pascom Sagrada FamíliaSegue a íntegra das palavras de Dom Neri José Tondello na Missa dos Santos Óleos e Renovação das Promessas Sacerdotais:
Dom Neri José Tondello - Foto:Pascom Sagrada Família
"O sucesso da vida do padre depende da disponibilidade dele para o atendimento, do treino para a paciência, bondade, amor, bom humor, gratuidade, abnegação, desprendimento, simplicidade e humildade. Depende também da sua alegria, de caminhar junto com seu povo, de ser compassivo, de sofrer com o sofrimento dos outros, de saber estar junto dos pobres, de atender os doentes, de acompanhar o luto das pessoas e de fazer do luto uma resistência e luta para novos dias dos familiares sofredores. O sucesso do padre depende de como as pessoas se aproximam de Deus, pois a salvação não vem de Jerusalém, a grande cidade, mas da periferia, de Belém, e vem de Nazaré, na periferia, não está no centro; o meu ser padre nasce em Belém, portanto é preciso retornar a Belém. O sucesso do padre depende da alegria em celebrar a Santa Eucaristia, da alegria e entusiasmo na realização do Sacramento do Batismo, e da alegria e empenho na preparação dos casais para o Matrimônio.
O sucesso depende de quanto ele reza, de como silencia diante do sacrário, diante da adoração a Jesus na Eucaristia, da oração simples do santo terço; depende do estudo, principalmente do conhecimento atualizado e permanente da Sagrada Escritura, depende de amizades sadias, amizades maduras com pessoas esclarecidas na fé, pessoas com sentido de pertença à Igreja de Jesus Cristo. A felicidade do padre será plena mediante a escolha de vida que fez; ele próprio é o patrão de sua escolha e decisão, não há ninguém que exerça pressão sobre ele, nem bispo, nem provincial, tampouco o povo de Deus, mas é o próprio presbítero que põe sobre si mesmo uma carga a ser carregada ou uma série de comportamentos que deve assumir para lograr êxito; o presbítero é o seu único patrão, ele pode viver das suas desumanas exigências do seu próprio eu; a promessa de pobreza quer dizer: dar-se por inteiro na gratuidade, consumir sua vida pelas causas do povo; a promessa de castidade quer dizer: uma vida indivisa na integridade, pureza de coração, honestidade e bondade; a promessa da obediência quer dizer: estar pronto para amar e servir, aonde mandar eu irei, seu amor eu não vou suportar, quero anunciar para o mundo ouvir que Jesus é nosso salvador. Qual a recompensa reservada ao padre? A ligação do povo de Deus unido ao Senhor, uma comunidade unida, fervorosa, animada, madura que sabe a quem seguir: Jesus Cristo; as pessoas rezam ou vão à Igreja por causa de Deus, o centro da vida cristã é Jesus, por Ele damos nossa vida. O padre, um homem pascal, o padre, um homem inserido na comunidade, numa paróquia, carrega a mística de Jesus, sacerdote, profeta e Bom Pastor, ressuscitado e vivo no meio da sociedade; o padre é o animador e coordenador de uma comunidade de fé e amor, anima e coordena todo o povo de Deus que habita neste território paroquial, mas pergunto também eu: E quem vai animar o padre? O padre se encarna, entra na história e na vida de todos nós, tem família como nós, permanece por um tempo neste mundo como todos nós, faz a transitoriedade na história como todos nós, também participa da história, vive e convive conosco, sente o prazer de estar em companhia e na amizade com as pessoas deste mundo, ninguém dá conta sozinho de nada, nem a família, nem a escola, nem o padre; sente a necessidade da proximidade da família, das pessoas, dos paroquianos, dos jovens, dos doentes, dos velhinhos, das crianças da catequese, dos trabalhadores, dos colaboradores, das pastorais e dos movimentos, enfim, uma vida em movimento o tempo todo, movimento dynamis, ou seja, movimento espiritual, sempre cercado de carinho e atividades, muito diversas, molda em si outro Cristo para o mundo, alter Christi. A criança de Belém se encarna a partir da exclusão; a sociedade da época a exclui, não há lugar para ela na cidade, mas os magos de outra crença, ou religião, a acolhem, a adoram com os melhores presentes; é acolhida pelos pastores, os mais desfavorecidos da sociedade, são desprezados e fedorentos, são eles que a acolhem e cuidam de Jesus; Jesus se encarna desta forma: em um estábulo, entre animais, ainda criança, foi levado por José e Maria para o Egito, para protegê-lo da morte que Herodes queria infligir aos meninos com menos de quatro anos; aqui lembro com carinho e gratidão os 160 anos da Congregação dos Oblatos de São José, e mais de 40 anos na Diocese de Juína, presentes nesta paróquia Sagrada Família; foi em São José que José Marello entendeu sua missão de salvar Jesus fora de casa; vieram para Juína, Aripuanã e Colniza para salvar Jesus aqui, padres salvadores de Jesus, muito obrigado pelo cuidado por 25 anos nesta paróquia. Encarnado, o padre se incultura, aprende os costumes no lugar da missão, os modos, as formas de trabalhar e interpretar os sinais dos tempos; a cultura do local está impregnada da vida e da beleza, da fragilidade e da força, do cuidado e da docilidade; o encarnado é o que tem de mais valioso e humano na vida do padre; nada escapa de Deus quando decide tornar-se humano para salvar a própria humanidade; o padre encarnado, do jeito de Jesus, assume o próximo, o vizinho, aquele que mais necessita de ajuda; podemos tocar a realidade das pessoas e curar suas feridas; o padre na paróquia é convidado a tornar-se cada vez mais próximo, de modo que seus paroquianos possam ver, sentir e perceber, no ministro ordenado, a presença do próprio Deus"








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