DIOCESE DE JUÍNA REALIZA VISITA MISSIONÁRIA AO POVO INDÍGENA RIKBAKTSA
Mesmo após mais de 12 horas de estrada, a Diocese de Juína chegou às aldeias Rikbaktsa, na Terra Indígena Cerejeira, para viver uma visita missionária marcada pela escuta, pelo diálogo e pela valorização da cultura e da vida dos povos originários.
17.12.2025 - 16:44:00 | 4 minutos de leitura

A Diocese de Juína realizou, na terça-feira (16), uma visita missionária às aldeias do povo indígena Rikbaktsa, localizadas na Terra Indígena Cerejeira, a mais de 570 quilômetros do município de Juína. O deslocamento foi marcado por um trajeto longo e desafiador, com trechos contínuos de aproximadamente seis horas, totalizando mais de 12 horas de viagem, considerando as condições das estradas e os acessos até as aldeias.



Fotos: Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
A visita contou com a presença do bispo diocesano, Dom Neri José Tondello, acompanhado do padre Renan Dantas e do padre Higor Franco. A iniciativa integra o compromisso pastoral da Igreja com a escuta, o diálogo e a presença missionária junto aos povos indígenas da região.
Durante a visita, houve momentos de convivência e escuta com o povo Rikbaktsa, marcados pelo aprendizado sobre seus ritos, ancestralidade, cultura e modos de vida. Ao longo dos encontros, os indígenas partilharam seus anseios, desafios e esperanças, fortalecendo os laços de confiança, respeito mútuo e comunhão.
Bispo diocesano, Dom Neri José Tondello - Foto: Pe. Renan Dantas - Divulgação
Dom Neri destacou que a visita missionária expressa o modo de ser Igreja que caminha junto aos povos originários. “A Igreja não vem para impor, mas para caminhar junto, ouvir, aprender e testemunhar o Evangelho com respeito às culturas e à história de cada povo. Estar presente nas aldeias é reafirmar nosso compromisso com a vida, com a dignidade humana e com o cuidado da Casa Comum”, afirmou o bispo diocesano.
Leonardo, indígena Rikbaktsa e colaborador da SESAI - Foto: Pe. Renan Dantas - Divulgação
Leonardo, indígena Rikbaktsa e colaborador da SESAI (Secretaria de Saúde Indígena), falou sobre os desafios enfrentados pelas comunidades, especialmente na área da saúde. Segundo ele, as grandes distâncias, o difícil acesso aos serviços e as limitações estruturais continuam sendo obstáculos no atendimento às aldeias. Ainda assim, ressaltou a força, a persistência e a esperança do povo indígena diante das dificuldades.
“O acesso à saúde nem sempre é fácil por causa das distâncias e das condições, mas o nosso povo permanece firme e esperançoso”, afirmou Leonardo. Ele destacou ainda que, mesmo diante das limitações da medicina convencional, os Rikbaktsa preservam e valorizam os saberes tradicionais. “Temos um grande aprendizado com a floresta. Até hoje utilizamos e compartilhamos conhecimentos sobre plantas e outros meios naturais que contribuem para o cuidado da saúde do nosso povo”, completou.
Goreti, indígena Rikbaktsa - Foto: Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
A indígena Goreti, uma das moradoras mais antigas da Terra Indígena Cerejeira, também partilhou sua experiência e sabedoria ancestral. Reconhecida pelo trabalho como parteira tradicional, ela relatou sua atuação ao longo de décadas no acompanhamento de partos dentro da própria Terra Indígena. Segundo Geraldina, muitos indígenas nasceram de forma natural em suas comunidades graças aos conhecimentos transmitidos de geração em geração, baseados no uso de práticas tradicionais e medicinas naturais.
Goreti destacou que seu trabalho sempre esteve ligado ao cuidado com a vida e ao respeito aos ciclos da natureza. Os saberes das parteiras tradicionais seguem sendo uma referência importante para a saúde indígena, especialmente em regiões de difícil acesso aos serviços médicos, contribuindo para a preservação da cultura e da identidade do povo Rikbaktsa.


Fotos: Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
A programação incluiu a partilha de alimentos e comidas típicas, preparados pela própria comunidade, gesto que simbolizou acolhida, fraternidade e comunhão. A missão também se estendeu a outras aldeias da região, reforçando a presença pastoral contínua da Diocese de Juína junto às comunidades indígenas.



Fotos: Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
A visita missionária foi concluída com a celebração da Santa Missa, presidida por Dom Neri e concelebrada pelos padres. A Eucaristia foi vivida como um momento profundo de fé, partilha e escuta do Evangelho, em comunhão com o povo indígena e em respeito à sua cultura e espiritualidade.
Os Rikbaktsa, também conhecidos como Erikbaktsa, são um povo indígena do estado de Mato Grosso, tradicionalmente chamados de “Canoeiros” pela habilidade na navegação e construção de canoas. Habitam ancestralmente as margens dos rios Juruena, Arinos e Sangue e se autodenominam “seres humanos”, expressão que revela a profunda ligação entre identidade, território e vida comunitária.
A Terra Indígena (TI) Rikbaktsa - Aldeia Cerejeiras, sendo famosos por sua cultura de canoas (feitas de cerejeira) e o colar ritualístico Tutanara - Foto: Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
Por meio dessas visitas missionárias, a Diocese de Juína reafirma seu compromisso com uma Igreja próxima, sinodal e missionária, que caminha ao lado dos povos originários, promovendo o diálogo, a justiça, a paz e o cuidado com a Amazônia.
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