DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS: HISTÓRICO, DESAFIOS E DEFESA DA DIGNIDADE
77 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: avanços, desafios e a importância da atuação da sociedade civil, das políticas públicas e da Doutrina Social da Igreja na garantia da dignidade, igualdade e justiça para todos, do Brasil ao mundo
10.12.2025 - 00:04:00 | 5 minutos de leitura

Em 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), marco histórico nascido como resposta aos horrores da Segunda Guerra Mundial. Composta por 30 artigos, a Declaração estabelece princípios fundamentais como igualdade, liberdade, direito à vida e à dignidade de todos os seres humanos, servindo de base para legislações, políticas públicas e movimentos sociais ao redor do mundo.
Apesar dos avanços, os direitos humanos enfrentam desafios complexos no contexto contemporâneo, incluindo guerras, crises migratórias, desigualdade social e econômica, discriminação contra comunidades LGBTQIA+, violência e dificuldades de acesso à justiça.
Inácio Werner, membro da coordenação do Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso, destacou em entrevista:
“Direitos humanos não devem ser lembrados só em um dia — eles precisam acontecer no cotidiano. Nossa luta é garantir que todos, especialmente os grupos mais vulneráveis, tenham acesso efetivo aos seus direitos.”
Werner lembrou que o Fórum, que em 2025 completa 15 anos, reúne cerca de 40 entidades, incluindo movimentos sociais, CPT, CIMI, centros de direitos humanos, organizações ambientais e grupos de defesa de populações vulnerabilizadas. Ele reforçou as principais pautas em Mato Grosso: terra e territórios, questões ambientais e climáticas, combate ao trabalho escravo, direitos indígenas, população em situação de rua, migrantes e comunidades LGBTQIA+.
“Desde 1999 discutimos o Plano Estadual de Direitos Humanos, mas até hoje ele não foi implantado. A sociedade civil mantém o trabalho vivo, enquanto mudanças de governo interrompem a continuidade das políticas do Conselho Estadual de Direitos Humanos.”

Foto: Getty Images - Haitianos dizem não querer voltar a seu país
A Doutrina Social da Igreja Católica desempenha papel relevante na defesa dos direitos humanos, reforçando valores como justiça social, solidariedade e respeito à dignidade da pessoa. Ela serve de guia moral e ético para políticas públicas, contribuindo para a proteção de grupos vulneráveis e a promoção de uma sociedade mais justa.
Segundo dados recentes do governo e relatórios de organizações internacionais como Human Rights Watch e Anistia Internacional (2025), as principais áreas de desafio no Brasil incluem:
Desigualdade social e econômica: acesso limitado a serviços básicos continua sendo barreira significativa.
Violência e segurança pública: incluindo violência de gênero e riscos a defensores de direitos humanos, mitigados parcialmente pelo Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos.
Discriminação: intolerância racial, de gênero, sexual e religiosa persiste.
Sistema judiciário e prisional: falhas estruturais e encarceramento em massa comprometem a garantia de justiça.
Inclusão da pessoa com deficiência: avanços legislativos existem, mas há necessidade de regulamentação e implementação de políticas nacionais específicas.
Educação em direitos humanos: desafio contínuo de criar consciência coletiva sobre sua importância.
Retomada da Conferência Nacional de Direitos Humanos

Após quase dez anos, a 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos (ConDH) busca retomar o diálogo para a construção de um Sistema Nacional de Direitos Humanos. Com o tema “Por um Sistema Nacional de Direitos Humanos: consolidar a democracia, resistir aos retrocessos e avançar na garantia de direitos para todas as pessoas”, o evento reuniu quase 1.400 pessoas no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, entre 10 e 12 de dezembro.
“A ConDH é um espaço estratégico para escutar demandas históricas e emergentes, especialmente de grupos em situação de vulnerabilidade, povos indígenas, quilombolas, população negra, pessoas com deficiência, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e população privada de liberdade. A construção coletiva de diretrizes a partir dessa escuta é condição essencial para um sistema de direitos verdadeiramente democrático e inclusivo.”
O evento integra mais de 200 etapas regionais e estaduais, mobilizando mais de 500 municípios e registrando mais de 7 mil votos nas propostas apresentadas, com envolvimento de mais de 230 organizações da sociedade civil. Durante três dias de atividades, foram realizados painéis, grupos de trabalho, lançamentos e premiações, consolidando políticas públicas e fortalecendo a participação social na formulação de direitos humanos no Brasil.
Wolfgang Schwan/Anadolu Agency Getty Images - Mulher fica ferida em explosão de edifício durante ofensiva militar russa em Chuguiv, no leste da Ucrânia, na manhã de 24/2
Garantir os direitos humanos vai além de um princípio teórico: é um compromisso concreto com a vida e a dignidade de cada pessoa. Como afirma Inácio Werner:
“Nossa missão é garantir que direitos humanos sejam uma realidade para todos, não apenas um ideal abstrato. É necessário ouvir quem está na ponta e construir políticas públicas que efetivamente protejam vidas e dignidade.”
Essa perspectiva reforça a importância de unir conhecimento acadêmico, atuação da sociedade civil e engajamento do Estado, ouvindo as demandas de quem enfrenta diariamente vulnerabilidades e desigualdades. A efetivação desses direitos exige diálogo, empatia e políticas públicas que transformem a teoria em proteção concreta, reafirmando a dignidade humana como valor central de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
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