Dados do IBGE reforçam pluralidade dos povos indígenas

Dados do IBGE reforçam pluralidade dos povos indígenas

Notícias do Brasil

05.11.2025 - 15:04:00 | 3 minutos de leitura

Dados do IBGE reforçam pluralidade dos povos indígenas

A Agência Brasil divulgou os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o aumento das etnias e línguas indígenas faladas no Brasil, no último dia 24 de outubro. A partir das novas informações, o órgão afirma ser possível elaborar e pensar novas políticas públicas mais adequadas a cada povo indígena.

 

Esses dados impactam também a Pastoral Indígena e Indigenista, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que busca fortalecer a convivência fraterna, promover o diálogo intercultural e defender a vida, a dignidade e os direitos desses povos.

 

Estes números poderão servir de auxílio para a Igreja mirar novos horizontes de atuação pastoral, já que, dentre seus objetivos, está o desenvolvimento do trabalho com as aldeias a partir das paróquias e Dioceses e promover a integração entre as diversas etnias e o diálogo indigenista.

 

Quais os principais dados divulgados?

 

Povos indígenas no Mato Grosso - Foto: Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína

 

Segundo a Agência Brasil, o IBGE apontou que existem hoje 391 etnias e 295 línguas indígenas faladas no país, a partir do Censo Demográfico de 2022, enquanto em 2010 os números eram de 305 etnias e 274 línguas.

 

Além disso, atualmente a população indígena soma 1.694.836 pessoas presentes em 4.833 municípios, representando 0,83% dos habitantes do Brasil. O Instituto afirmou ainda que, em 12 anos, o número de indígenas aumentou 88,82%.

 

As etnias mais populosas são:

 

Tikuna – 74.061 pessoas

 

Kokama – 64.327

 

Makuxí – 53.446

 

As línguas mais faladas são:

 

Tikúna – 51.978 falantes

 

Guarani Kaiowá – 38.658

 

Guajajara – 29.212

 

O levantamento mostra também uma mudança importante: em 2010, 63,78% dos indígenas viviam em áreas rurais, já em 2022, 53,97% estão em áreas urbanas. São Paulo é a cidade com maior diversidade étnica (194 etnias), seguida de Manaus, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador.

 

Como o CIMI reflete os novos dados do IBGE sobre povos indígenas?

 

O Portal A12 conversou com Alcilene Bezerra, vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), principal organismo vinculado à CNBB, responsável por coordenar a ação pastoral no país.

 

Alcilene afirmou que o órgão ainda analisa de forma mais detalhada os novos dados do IBGE, mas considera o levantamento um retrato importante da pluralidade do país.

 

Segundo ela, o aumento no número de indígenas reflete tanto o fortalecimento das mobilizações por direitos desde a Constituição de 1988 quanto o crescente movimento de autodeclaração e afirmação identitária dos povos originários.

 

"É urgente pensar políticas públicas que contemplem principalmente a realidade dos povos indígenas que vivem em contexto urbano; a defesa e proteção dos territórios demarcados", disse.

 

Alciene destacou que ainda há um grande desafio de compreensão por parte do governo e da sociedade sobre quem são os indígenas das cidades, já que muitos enfrentam preconceito e invisibilidade por não viverem em aldeias.

 

Para ela, é necessário que as políticas de saúde, educação, moradia e representação política sejam adaptadas à realidade de cada grupo, garantindo o pleno exercício da cidadania e o respeito à diversidade cultural.

 

Além disso, a vice-presidente chamou atenção para a situação de comunidades cujos territórios foram cercados pelo avanço urbano e para o aumento das violências registradas no relatório do CIMI, que apontou:

 

  • 154 conflitos por direitos territoriais;
  • 230 casos de invasões;
  • 857 situações de omissão na regularização de terras indígenas.

 

Por fim, ela destacou quais são as pautas mais recentes do organismo:

 

"Além dos desafios citados no texto acima, é preciso destacar nesse sentido, que as principais demandas no novo contexto político e da política indigenista, continuam relacionadas com a questão territorial. Principalmente na luta por direitos e defesa da vida dos povos originários". 

 

Informações: Agência Brasil

 

 

 

 

Fonte Escrito por Giovana Marques - Portal A12
Imagem Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
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