Crise na Venezuela: Igreja pede oração após ataque dos EUA
Os Bispos da Venezuela pediram orações a todos os fiéis do mundo, devido ao momento delicado em que o país se encontra, logo após a captura e prisão do seu presidente, Nicolás Maduro, feita pelos Estados Unidos, em um ataque à cidade de Caracas, no dia 3 de janeiro.
06.01.2026 - 11:22:00 | 4 minutos de leitura

Os ataques teriam atingido instalações militares, deixando cerca de 80 mortos e levou o líder do país e sua esposa, Cilia Flores, presos.
O episcopado dirigiu uma mensagem à população, invocando a Deus para que conceda "a todos os venezuelanos serenidade, sabedoria e força" e expressando solidariedade aos "feridos" e às "famílias dos falecidos.
Contexto político e escalada do conflito
A prisão de Nicolás Maduro ocorreu após uma longa trajetória de embates entre os países, em agosto de 2025, a administração do governo dos Estados Unidos de Donald Trump chegou a oferecer 50 milhões de dólares de recompensa por informações que levassem à prisão do presidente da Venezuela, que foi considerado pelo governo de Trump como um colaborador dos principais cartéis de tráfico de drogas do país para os Estados Unidos.
O governo dos Estados Unidos não reconhece a eleição de Nicolás Maduro como legítima e, por isso, desde agosto, as desavenças foram tomando maiores proporções, até culminar na captura do líder da Venezuela e de sua esposa, em um ataque das forças militares americanas à cidade de Caracas na noite do dia 3 de janeiro, às 2h da manhã.
Em declarações à imprensa, o presidente dos EUA afirmou que o país assumirá o governo da Venezuela até a transição para outro governo e terão controle do setor petrolífero do país. "Como todos sabem, o setor petrolífero da Venezuela está em crise há muito tempo", disse Donald Trump.
"Envolveremos nossas principais companhias petrolíferas americanas, que investirão bilhões de dólares, repararão a infraestrutura gravemente danificada e começarão a gerar lucro para o país", afirmou o presidente dos Estados Unidos.
Trump ameaçou também tomar medidas contra a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que atualmente é responsável por governar o país. Segundo Trump, "Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro", disse ele à revista americana The Atlantic, no dia 4 de janeiro.
O Padre Georges Engel, que foi missionário na Venezuela durante cerca de vinte anos, não esconde a sua preocupação. "Até recentemente, muitas das pessoas que conheço na Venezuela, com quem tenho contato diário, pressentiam que algo ia acontecer."
O Padre disse que a maioria dos seus conhecidos no país estavam mal-informados devido à censura das principais redes sociais na Venezuela. “Aqueles que, por outros meios, tinham acesso à informação estavam, diga-se de passagem, aguardando ansiosamente por este momento", relatou.
Posicionamento da Comunidade Internacional
A operação americana acabou atraindo críticas da comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar preocupado com a ação dos Estados Unidos e "com o desrespeito ao direito internacional". Os governos da França e Itália esclareceram que regimes não podem ser mudados de fora. A Espanha, por sua vez, ofereceu mediação.
No dia 4 de janeiro, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai afirmaram, em nota conjunta, estarem profundamente preocupados com os ataques dos Estados Unidos e que as ações americanas vão contra os princípios do direito internacional.
O presidente do Brasil afirmou que “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. E que os atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela.”
O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) comunicou no dia 4 de janeiro, que reconhece a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, como presidente da Venezuela.
O papel da Igreja em meio à incerteza
Com o futuro da Venezuela incerto, o Padre Georges Engel teme que, em um país empobrecido e altamente polarizado, uma nova onda de violência possa eclodir. Porém, refletiu sobre a contribuição que a Igreja pode oferecer nesta fase.
"A Igreja Católica na Venezuela sempre esteve ao lado das crianças e dos pobres do país e seu papel permanece insubstituível em um país marcado há tantos anos pelo narcotráfico e pela corrupção", disse o padre.
Para ele, a Igreja venezuelana é chamada "a proclamar o perdão e a misericórdia com ainda mais vigor e força nesta situação, que será muito difícil economicamente para o povo venezuelano.”
Fonte: Vatican News, New York Times
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