AGOSTO LILÁS REFORÇA A CONSCIENTIZAÇÃO E O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Lilás, iniciativa nacional voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher. A mobilização busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre os diferentes tipos de violência, fortalecer a rede de proteção e incentivar as vítimas a romperem o ciclo de agressões e procurarem ajuda.

Notícias da Diocese

01.08.2026 - 10:00:00 | 4 minutos de leitura

AGOSTO LILÁS REFORÇA A CONSCIENTIZAÇÃO E O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Criada em referência ao aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, a campanha lembra a importância de uma das principais legislações de proteção às mulheres no Brasil. A lei estabelece medidas protetivas de urgência e reconhece diversas formas de violência que podem ocorrer no ambiente doméstico, familiar ou em relações íntimas de afeto.

 

 

Segundo especialistas, a violência nem sempre começa com agressões físicas. Em muitos casos, ela se manifesta inicialmente por meio de controle excessivo, ciúmes, isolamento, humilhações, ameaças e manipulação emocional, podendo evoluir para situações mais graves. Reconhecer esses sinais é fundamental para interromper o ciclo da violência e buscar apoio.

 

Conheça os principais tipos de violência contra a mulher

 

Violência Física

 

É qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.

 

Exemplos:

  • Espancamento;

  • Atirar objetos, sacudir ou apertar os braços;

  • Estrangulamento ou sufocamento;

  • Lesões com objetos cortantes ou perfurantes;

  • Ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo;

  • Tortura.

 

Violência Sexual

 

É qualquer conduta que obrigue ou constranja a mulher a presenciar, manter ou participar de ato sexual sem seu consentimento.

 

Exemplos:

  • Estupro;

  • Obrigar a mulher a praticar atos sexuais que causem desconforto ou repulsa;

  • Impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar;

  • Forçar o matrimônio, a gravidez ou a prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação;

  • Limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher.

 

Violência Psicológica

 

É qualquer conduta que provoque dano emocional, diminuição da autoestima, controle, medo ou isolamento.

 

Exemplos:

  • Ameaças;

  • Constrangimento;

  • Humilhação;

  • Manipulação;

  • Isolamento (proibir de estudar, trabalhar, viajar ou manter contato com amigos e familiares);

  • Vigilância constante;

  • Perseguição (stalking);

  • Insultos;

  • Chantagem;

  • Exploração;

  • Limitação do direito de ir e vir;

  • Ridicularização;

  • Impedir ou restringir a liberdade de crença;

  • Distorcer ou omitir fatos para fazer a mulher duvidar de sua memória ou sanidade (gaslighting).

 

Violência Psicológica

 

Consiste em atos que atingem a honra e a reputação da mulher.

 

Exemplos:

  • Acusar a mulher de traição;

  • Emitir juízos morais sobre sua conduta;

  • Fazer acusações ou críticas mentirosas;

  • Expor sua vida íntima;

  • Rebaixá-la por meio de xingamentos e ofensas;

  • Desvalorizá-la pelo modo de vestir ou por suas escolhas pessoais.

 

Violência Patrimonial

 

É qualquer ação que retenha, destrua ou controle bens, documentos ou recursos financeiros da mulher.

 

Exemplos:

  • Controlar o dinheiro da vítima;

  • Deixar de pagar pensão alimentícia;

  • Destruir documentos pessoais;

  • Praticar furto, extorsão, dano ou estelionato;

  • Privar a mulher de bens, valores ou recursos econômicos;

  • Danificar propositalmente objetos pessoais ou de valor afetivo.

 

Violência Vicária

 

É a violência praticada contra filhos, familiares, animais de estimação ou pessoas próximas com o objetivo de atingir emocionalmente a mulher.

 

Exemplos:

  • Ameaçar machucar ou matar os filhos para atingir a mãe;

  • Agredir física ou psicologicamente filhos, familiares ou pessoas próximas;

  • Manipular os filhos para rejeitarem ou odiarem a mãe;

  • Impedir ou dificultar o convívio da mãe com os filhos como forma de punição;

  • Utilizar os filhos para transmitir ameaças, chantagens ou ofensas;

  • Sequestrar, ocultar ou reter os filhos para causar sofrimento à mulher;

  • Matar ou ameaçar animais de estimação para provocar sofrimento emocional;

  • Ameaçar ou agredir integrantes da rede de apoio da mulher, como pais, irmãos, amigos ou outros familiares;

  • Provocar sofrimento aos filhos para atingir emocionalmente a mãe;

  • Em sua forma mais extrema, assassinar filhos ou familiares com o objetivo de causar sofrimento permanente à mulher, prática conhecida como vicaricídio.

 

O papel da sociedade e da rede de apoio

 

O Agosto Lilás também chama atenção para a responsabilidade coletiva no enfrentamento da violência. Familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e membros da comunidade podem desempenhar papel decisivo ao acolher a vítima, acreditar em seu relato e orientá-la a buscar os serviços especializados de atendimento. O silêncio e a omissão contribuem para a continuidade das agressões.

 

Especialistas reforçam que nenhuma forma de violência deve ser minimizada. Mesmo agressões verbais, ameaças, controle financeiro ou isolamento social podem causar danos profundos e representar risco de escalada para violências mais graves.

 

Onde buscar ajuda

 

Mulheres em situação de violência podem procurar delegacias especializadas, centros de referência de atendimento à mulher, serviços de assistência social, unidades de saúde, Ministério Público e Defensoria Pública. Em casos de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.

 

Também é possível buscar orientação e registrar denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito e disponível em todo o território nacional. O atendimento funciona 24 horas por dia e oferece informações sobre direitos, medidas protetivas e serviços de apoio.

 

Mais do que uma campanha de um mês, o Agosto Lilás convida a sociedade a promover uma cultura de respeito, igualdade e valorização da dignidade da mulher, reafirmando que toda vítima tem direito à proteção, à justiça e a uma vida livre de violência.

 

 

 

 

Fonte Pe. Renan Dantas - Diocese de Juína
Imagem Divulgação
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