VI ASSEMBLEIA DA PASTORAL FAMILIAR DA DIOCESE DE JUÍNA APROVA PROJETO FAMÍLIA JOVEM E REFORÇA COMPROMISSO COM A ACOLHIDA DAS FAMÍLIAS

Encontro reuniu representantes das paróquias para avaliar a caminhada pastoral, refletir sobre os desafios das famílias e definir novas estratégias de acompanhamento dos casais recém-casados

Notícias da Diocese

23.09.2026 - 07:22:00 | 7 minutos de leitura

VI ASSEMBLEIA DA PASTORAL FAMILIAR DA DIOCESE DE JUÍNA APROVA PROJETO FAMÍLIA JOVEM E REFORÇA COMPROMISSO COM A ACOLHIDA DAS FAMÍLIAS

A Diocese de Juína realizou, nos dias 19 e 20 de setembro, a VI Assembleia da Pastoral Familiar, reunindo na Casa de Retiro de Juína (MT) o bispo diocesano, Dom Neri José Tondello, sacerdotes, diáconos, assessores, coordenadores e agentes pastorais representantes das paróquias da diocese. O encontro teve como tema “Alarga tua tenda para acolher e amar” e como lema “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24,15).

 

A assembleia foi marcada por momentos de oração, formação, partilha das experiências paroquiais, trabalhos em grupo e definição de encaminhamentos para a caminhada da Pastoral Familiar. Entre os principais assuntos estiveram o Itinerário Vivencial de Acompanhamento Personalizado para o Sacramento do Matrimônio, a espiritualidade conjugal e a implantação do Projeto Família Jovem, destinado ao acompanhamento dos casais recém-casados.

 

A abertura aconteceu no dia 19 de setembro, às 13h, conduzida pelo coordenador diocesano, Diácono Nivaldo. O momento inicial de oração, preparado pelos agentes da Pastoral Familiar da Paróquia São José Operário, de Brasnorte, teve como inspiração a imagem bíblica da tenda e o convite a ampliar o espaço para acolher novas pessoas e realidades familiares.

 

Na sequência, foram apresentadas as coordenações paroquiais e as experiências desenvolvidas desde a última assembleia. Cada paróquia compartilhou respostas a um questionário previamente encaminhado, além de vídeos e imagens das atividades realizadas. Entre os frutos apontados estiveram a aproximação dos casais com a Igreja, o fortalecimento das amizades, a abertura ao diálogo e à partilha, o aprofundamento da fé, a retomada da oração e da participação nas celebrações e uma maior compreensão do matrimônio como vocação.

 

As paróquias também apresentaram diversas iniciativas realizadas junto às famílias, entre elas missas, momentos de oração, terços, visitas às famílias, Semana da Família, encontros de casais, formações, preparação para o Batismo, catequese batismal e atividades de integração comunitária.

 

Durante a assembleia, Dom Neri José Tondello destacou a importância de uma pastoral capaz de acompanhar as transformações da sociedade e, ao mesmo tempo, manter o olhar atento às pessoas e às suas diferentes realidades.

 

Em sua reflexão, o bispo chamou atenção para o impacto do individualismo na vida contemporânea e para a necessidade de uma Igreja que não se feche em si mesma. Ao falar sobre a missão pastoral, questionou os participantes: “A pastoral me faz bem? Por quê?”. A pergunta foi apresentada como um convite à reflexão sobre o sentido da participação pastoral e sobre os frutos que a ação evangelizadora produz na vida das pessoas.

 

Dom Neri ressaltou ainda que, diante de um mundo marcado pelo individualismo, a pastoral é chamada a viver a lógica da gratuidade, do cuidado e da acolhida. Segundo a reflexão apresentada na assembleia, esse cuidado precisa alcançar diferentes grupos e fases da vida, incluindo crianças, idosos, pobres e jovens.

 

O bispo também chamou atenção para a realidade de pessoas que não conseguem estar presentes nas comunidades por diferentes motivos. Em sua fala, destacou que muitas vezes os pobres deixam de frequentar as igrejas por vergonha ou por falta de recursos, reforçando a necessidade de uma ação pastoral que saiba acolher e buscar aqueles que estão distantes.

 

“A pastoral de Jesus é a pastoral da acolhida, do amor, da escuta e da paciência”, foi a síntese apresentada ao final da reflexão sobre a missão da Igreja junto às famílias.

 

Dom Neri também destacou a juventude como sinal de esperança, relacionando o trabalho pastoral com a necessidade de acompanhar as novas gerações e criar espaços de participação e pertença na comunidade.

 

Outro momento de destaque foi a exposição do Padre Bruno, que abordou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e sua relação com a Pastoral Familiar. O sacerdote ressaltou que as diretrizes oferecem referências para a organização da ação evangelizadora e devem ser compreendidas a partir da realidade concreta das comunidades.

 

Entre os desafios contemporâneos apresentados estiveram a mudança de época, a crise socioambiental, a polarização, as novas tecnologias, a inteligência artificial e o enfraquecimento do senso comunitário. Diante desse cenário, a Igreja é chamada a rever métodos de evangelização, fortalecer o sentimento de pertença, renovar o ardor missionário e ampliar a participação dos fiéis.

 

A formação também destacou o protagonismo dos leigos e a dimensão sinodal da Igreja, ressaltando a importância de uma comunidade que escuta, discerne e constrói caminhos de forma participativa.

 

Um dos principais encaminhamentos da VI Assembleia foi a aprovação do Projeto Família Jovem, apresentado como uma proposta de acompanhamento dos casais recém-casados.

 

Durante a exposição, Padre Bruno destacou que os primeiros anos da vida matrimonial constituem um período importante para a consolidação da vida conjugal e, por isso, exigem acompanhamento, formação e proximidade. O projeto prevê etapas de acompanhamento e a formação de pequenas comunidades de famílias.

 

A proposta prevê grupos formados por quatro casais recém-casados, acompanhados por um casal padrinho, que terá a missão de animar, acompanhar e evangelizar a partir da própria experiência de vida matrimonial. Entre as propostas estão momentos de oração, encontros mensais, corresponsabilidade e integração entre os grupos.

 

Durante os trabalhos em grupo, os participantes refletiram sobre como a presença de casais mais experientes pode contribuir para a preparação dos recém-casados diante dos desafios da vida matrimonial. Também foram discutidos temas como diálogo, escuta, perdão, convivência, administração do tempo em família e conciliação entre vida familiar e profissional.

 

Na apresentação da síntese, os participantes avaliaram que a presença de um acompanhamento próximo pode contribuir para uma maior maturidade dos casais, fortalecer a compreensão sobre o Sacramento do Matrimônio e favorecer a permanência das famílias na caminhada comunitária.

 

A proposta foi aprovada pela assembleia e deverá ser implantada de maneira gradual. Cada paróquia terá autonomia para organizar a implementação, mas deverá estabelecer metas e apresentar o projeto ao pároco, garantindo o apoio necessário para sua execução.

 

No segundo dia da assembleia, o Padre Raimundo, diretor da Pastoral Familiar, conduziu uma reflexão sobre a espiritualidade da família. O sacerdote destacou que compreender a missão da família exige reconhecer a vocação do casal.

 

Segundo a reflexão apresentada, a vocação do casal está fundamentada no amor e na construção cotidiana da vida a dois. A família foi apresentada como Igreja doméstica, lugar onde a fé é vivida, transmitida e testemunhada no cotidiano.

 

Padre Raimundo ressaltou que a caminhada matrimonial exige amor, fé, paciência, fidelidade, confiança e perseverança. Também destacou a necessidade de evitar que a rotina e a monotonia enfraqueçam a vida conjugal.

 

A reflexão retomou ainda documentos da Igreja, especialmente Familiaris Consortio e Amoris Laetitia, destacando a importância da espiritualidade conjugal, da santificação mútua e da missão da família. O acompanhamento pastoral foi apresentado como um caminho de acolher, acompanhar, discernir e integrar as diferentes realidades familiares.

 

A assembleia também marcou a renovação da coordenação diocesana da Pastoral Familiar. Ao final do encontro, foi anunciado que, a partir do próximo ano, a coordenação será assumida pelo Diácono Lidiomar e Sonia, tendo Giovana e David como vice-coordenadores. O processo de renovação foi conduzido pelo Diácono Paulo, juntamente com o Padre Raimundo.

 

O momento também foi marcado pelo agradecimento à coordenação que esteve à frente da pastoral nos últimos anos. Sonia destacou a dedicação de Cida e do Diácono Nivaldo, reconhecendo o trabalho realizado durante o período de serviço à Pastoral Familiar.

 

Ao fazer uma avaliação da assembleia, o Diácono Nivaldo expressou gratidão a Deus, ao bispo, aos sacerdotes, diáconos, casais, agentes pastorais e às paróquias pelo empenho na caminhada. Também reforçou que o trabalho pastoral depende da comunhão e da participação de todos.

 

A VI Assembleia foi encerrada com oração, canto, bênção e confraternização entre os participantes. Mais do que avaliar as ações realizadas, o encontro definiu novos caminhos para a Pastoral Familiar da Diocese de Juína, colocando o acompanhamento das famílias e dos jovens casais entre as prioridades da caminhada pastoral.

 

Com a aprovação do Projeto Família Jovem, a Diocese de Juína inicia uma nova etapa de acompanhamento dos recém-casados, buscando fortalecer os vínculos matrimoniais, a vivência da fé e a participação das famílias na comunidade. O encontro reafirmou, assim, o convite presente no tema da assembleia: alargar a tenda para acolher, acompanhar e amar, fazendo da família um espaço de comunhão, fé e missão.

 

 

 

 

Fonte Pe. Renan Dantas – Diocese de Juína (MT)
Imagem Divulgação
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