SIGNIS BRASIL INICIA CURSO SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E COMUNICAÇÃO CATÓLICA COM REFLEXÃO SOBRE ÉTICA, FÉ E TECNOLOGIA

A Associação de Comunicação Católica SIGNIS Brasil iniciou nesta terça-feira, 23 de junho, o curso “Inteligência Artificial e Comunicação Católica”, reunindo comunicadores, agentes pastorais e lideranças eclesiais em uma formação online realizada pela plataforma Google Meet. O curso segue com novo encontro marcado para o dia 30 de junho, das 19h30 às 21h30.

Notícias da Diocese

25.06.2026 - 11:06:00 | 5 minutos de leitura

SIGNIS BRASIL INICIA CURSO SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E COMUNICAÇÃO CATÓLICA COM REFLEXÃO SOBRE ÉTICA, FÉ E TECNOLOGIA

A iniciativa busca aprofundar o debate sobre os impactos da inteligência artificial na comunicação contemporânea e na missão evangelizadora da Igreja, a partir de uma abordagem ética, teológica e pastoral.

 

Formação reúne dois olhares sobre tecnologia e evangelização

 

O primeiro encontro contou com duas aulas centrais, conduzidas por Dom Edson Oriolo e pelo presbítero e jornalista Pe. Renan Dantas, que apresentaram reflexões complementares sobre os desafios da cultura digital e o uso das novas tecnologias na vida da Igreja.

 

O curso contou com ampla participação de bispos, presbíteros, religiosos, religiosas, leigos e leigas de diversas regiões do Brasil, reunindo agentes da comunicação e de diversas pastorais em um mesmo espaço formativo. Grandes nomes da comunicação católica atual também marcaram presença, reforçando a relevância da iniciativa e o interesse crescente da Igreja pelo debate sobre inteligência artificial, ética e evangelização no ambiente digital.

 

Dom Edson Oriolo: tecnologia como instrumento, não protagonista

 

 

A primeira exposição foi conduzida por Dom Edson Oriolo, com o tema “A Inteligência que vive e a inteligência que calcula”, a partir da reflexão da Carta Encíclica Magnifica Humanitas. O bispo desenvolveu uma leitura crítica sobre o avanço da inteligência artificial e seus impactos na sociedade contemporânea.

 

Bispo da Diocese de Leopoldina (MG) e membro do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial do CELAM, Dom Edson enfatizou que a tecnologia deve ser compreendida como instrumento, e não como protagonista das relações humanas e eclesiais.

 

Durante a formação, ele destacou que a humanidade vive uma nova etapa histórica marcada pela Sociedade 5.0, na qual o digital e o humano se integram de forma profunda, exigindo discernimento ético e responsabilidade social.

 

O bispo também apresentou a distinção entre a “inteligência que vive” e a “inteligência que calcula”. Segundo ele, a inteligência humana é capaz de compreender, amar, discernir e assumir responsabilidade moral, enquanto a inteligência artificial opera a partir de dados, padrões e algoritmos, sem consciência ou liberdade.

 

Dom Edson ainda provocou a reflexão sobre três questões centrais: quem governa a tecnologia, como preservar a dignidade humana diante dos sistemas digitais e como garantir que a inovação permaneça a serviço do bem comum.

 

Escritor e especialista em gestão, comunicação e inteligência artificial, o bispo é mestre em Filosofia Social, especialista em Marketing e Gestão de Pessoas e autor de diversos livros sobre evangelização digital e comunicação. Ele integra o grupo do CELAM que reúne especialistas da América Latina e do Caribe para refletir sobre os desafios éticos e pastorais da inteligência artificial.

 

Pe. Renan Dantas: algoritmos, ética e missão evangelizadora

 

 

Na segunda aula, intitulada “Como utilizar os algoritmos sem perder a humanidade”, o presbítero e jornalista Pe. Renan Dantas conduziu uma reflexão sobre o impacto dos algoritmos na comunicação e na evangelização digital.

 

O presbítero iniciou sua exposição com provocações aos participantes: “Quem está formando suas decisões hoje: você, Deus ou os algoritmos?” e “Você ainda escolhe o que consome ou já está sendo escolhido pelo que te consome?”.

 

A partir dessas questões, destacou como os sistemas algorítmicos influenciam hábitos de consumo, formação de opinião e até a vivência da fé no ambiente digital.

 

Um dos pontos centrais da aula foi o conceito de “algorética” (ou algor-ética), entendido como a integração de princípios éticos no desenvolvimento e uso de algoritmos e da inteligência artificial, envolvendo valores como transparência, justiça, responsabilidade e respeito à dignidade humana.

 

Pe. Renan alertou que os algoritmos não são neutros em sua atuação social, pois influenciam diretamente o alcance e a circulação de conteúdos nas plataformas digitais.

 

No campo da evangelização, destacou dois movimentos simultâneos: por um lado, os algoritmos ampliam o alcance da mensagem cristã; por outro, podem gerar bolhas de opinião, superficialidade da fé e redução da experiência religiosa a consumo de conteúdo.

 

Ao final do encontro, o presbítero apresentou indicações de filmes, séries e documentários para aprofundamento do tema da inteligência artificial e seus impactos na sociedade. Entre as recomendações estiveram:

 

Black Mirror, considerada essencial para refletir sobre os impactos da IA na vida humana;

 

Cassandra, voltada às discussões sobre casas inteligentes e IA generativa;

 

Love, Death & Robots, com episódios curtos que facilitam o uso em aulas e formações;

 

Better Than Us, que aborda a convivência entre humanos e robôs;

 

O Dilema das Redes, que mostra como algoritmos influenciam comportamentos e decisões;

 

A Era dos Dados, sobre como os dados moldam a sociedade contemporânea;

 

O Futuro Segundo Bill Gates, com reflexões sobre IA, saúde e futuro global;

 

Explorando o Desconhecido: Robôs Assassinos, que discute armas autônomas e desafios éticos da IA;

 

Pantheon, série que trata da transferência da mente humana para sistemas digitais e suas implicações filosóficas.

 

Encerrando sua fala, Pe. Renan sintetizou a reflexão com uma frase que marcou o encontro: “A humanidade busca humanidade”.

 

Ele concluiu provocando os participantes: “Quando abrimos o celular pela manhã, quem terá mais influência sobre nossas escolhas: o algoritmo ou o Evangelho?”.

 

Próximo encontro encerra formação com foco em IA, rádio e combate à desinformação

 

 

O segundo e último encontro do curso será realizado na próxima segunda-feira, 30 de junho, das 19h30 às 21h30, em formato totalmente online pela plataforma Google Meet, reunindo novamente comunicadores de diversas regiões do Brasil.

 

Nesta etapa final, a formação contará com duas conferências centrais. A primeira será conduzida por Geizom Sokacheski, com o tema “A Revolução da IA na Comunicação e na Evangelização”, abordando as transformações da inteligência artificial na produção e circulação de conteúdos religiosos e midiáticos.

 

Em seguida, Angelica Lima apresentará a palestra “O uso consciente da IA no rádio e na TV: benefícios, riscos, produtividade e o combate às fake news”, destacando o papel dos comunicadores no enfrentamento da desinformação e no uso responsável das tecnologias nos meios de comunicação tradicionais e digitais.

 

A proposta do encontro de encerramento é oferecer uma visão prática e aplicada da inteligência artificial na comunicação católica, articulando inovação tecnológica, responsabilidade ética e compromisso com a verdade no serviço evangelizador.

 

 

Fonte Pe. Renan Dantas – Diocese de Juína (MT)
Imagem Divulgação
Mais em Notícias da Diocese
 
 
Copyright © 2026 - Diocese de Juína.
Todos os direitos reservados, navegando no site você está de acordo com os termos de uso e a nossa política de privacidade.
Desenvolvido com por Desenvolvido com amor Agência Arcanjo