DOM NERI JOSÉ TONDELLO CELEBRA MISSA NO CTG DE JUÍNA, REUNINDO FÉ, MEMÓRIA E IDENTIDADE CULTURAL NA ABERTURA DOS FESTEJOS FARROUPILHAS

Celebração no Centro de Tradições Gaúchas marcou o início da programação farroupilha e destacou a presença das raízes sulistas na história de Juína

Notícias da Diocese

18.09.2026 - 13:20:00 | 3 minutos de leitura

DOM NERI JOSÉ TONDELLO CELEBRA MISSA NO CTG DE JUÍNA, REUNINDO FÉ, MEMÓRIA E IDENTIDADE CULTURAL NA ABERTURA DOS FESTEJOS FARROUPILHAS

A fé ganhou sotaque, símbolos e elementos de uma tradição que atravessou o Brasil. Em Juína, a abertura dos festejos farroupilhas foi marcada pela celebração da Missa Crioula no Centro de Tradições Gaúchas (CTG), presidida por Dom Neri José Tondello, bispo diocesano. O momento reuniu oração e história e recordou as raízes das famílias que chegaram ao município vindas do Sul do país.

 

A Missa Crioula já integra o calendário de Juína e, para além da programação festiva, expressa a relação entre a fé católica e a identidade de uma comunidade formada também por migrantes que trouxeram consigo costumes e valores.

 

 

Em entrevista, Dom Neri explicou que a celebração consiste na inserção de elementos culturais da tradição gaúcha no rito romano da Igreja.

 

“A Missa Crioula se trata de inserir elementos culturais da tradição no rito romano da liturgia.”

 

A proposta permite que a comunidade celebre a fé a partir da realidade em que está inserida, preservando a natureza da liturgia e, ao mesmo tempo, valorizando as características próprias do povo que participa da celebração.

 

UMA HISTÓRIA QUE CHEGOU COM OS MIGRANTES

 

 

A formação de Juína também passa pela trajetória de famílias que deixaram o Rio Grande do Sul, percorreram Santa Catarina e Paraná e chegaram ao Mato Grosso. Com elas vieram modos de viver, costumes, culinária, música e valores que permaneceram presentes mesmo depois de milhares de quilômetros de distância da terra de origem.

 

Para Dom Neri, essa continuidade revela a profundidade da relação entre um povo e suas raízes.

 

“A tradição e a cultura acompanham sempre este povo porque fazem parte da vida. É uma questão vital, até de sobrevivência da própria cultura.”

 

O chimarrão, o churrasco, a culinária e as manifestações tradicionalistas são algumas das expressões que permanecem vivas no cotidiano. No CTG, essas referências encontram um espaço de convivência e transmissão entre gerações.

 

Os festejos também recordam a Revolução Farroupilha, ocorrida entre 1835 e 1845 no Rio Grande do Sul. O movimento esteve ligado a conflitos políticos e econômicos, entre eles a insatisfação com a tributação sobre produtos importantes para a economia regional, como o charque.

 

A experiência de uma década de conflito tornou-se uma das referências históricas associadas à formação da identidade gaúcha. Para Dom Neri, a lembrança desse período ajuda a compreender a força atribuída à resistência e à capacidade de superar dificuldades.

 

“Houve resistência, resiliência, e o gaúcho é capaz de resistir, é capaz de sonhar, é capaz de conquistar aquilo que precisa.”

 

A memória desse período permanece presente nos festejos não apenas como lembrança histórica, mas como parte de uma narrativa transmitida entre gerações.

 

 

A celebração no CTG evidencia uma característica própria da experiência cristã: a fé é vivida por pessoas inseridas em uma história, uma comunidade e uma cultura. Na Missa Crioula, elementos da tradição gaúcha encontram o rito romano e ajudam a expressar a fé de uma comunidade que preserva suas raízes enquanto constrói sua história em Mato Grosso.

 

Em Juína, a distância do Sul não significou o desaparecimento dessas referências. Elas foram incorporadas à nova realidade e continuam sendo transmitidas, especialmente por meio das famílias e dos espaços de convivência. Ao abrir os festejos farroupilhas com a celebração da Missa Crioula, o CTG acolheu um momento em que oração e memória caminharam juntas. Uma tradição que chegou de longe permanece viva não apenas nas manifestações festivas, mas também naquilo que sustenta a vida de uma comunidade: sua história, seus vínculos e sua fé.

 

 

 

 

Fonte Assessoria de Comunicação - Diocese de Juína
Imagem Tv Nazaré - Divulgação
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