DIA DO FOTÓGRAFO A ARTE DE REVELAR O SAGRADO
Celebrado no Brasil em 8 de janeiro, o Dia do Fotógrafo recorda a chegada da primeira câmera fotográfica ao país, em 1840. A data vai além de uma homenagem profissional: ela convida à reflexão sobre o papel do fotógrafo e da fotografia como uma linguagem fundamental para a sociedade, capaz de registrar a história, denunciar injustiças, humanizar realidades e preservar a memória coletiva.
08.01.2026 - 08:33:00 | 8 minutos de leitura

Ao longo do tempo, a fotografia tornou visível aquilo que muitas vezes era ignorado. Guerras, conflitos sociais, desigualdades, catástrofes ambientais e grandes transformações históricas foram reveladas por imagens que atravessaram fronteiras e despertaram consciências. Fotografias denunciaram a fome, a violência, os maus-tratos, a degradação ambiental e as violações de direitos humanos, mobilizando a opinião pública e provocando debates que influenciaram decisões políticas e sociais. Nesse sentido, o fotógrafo não é apenas um técnico da imagem, mas um mediador entre o fato e a sociedade, alguém que interpreta a realidade e lhe dá visibilidade.
Ao mesmo tempo em que denuncia, a fotografia também humaniza. Ela revela a dignidade do ser humano, a esperança em meio à dor, a fé que sustenta comunidades inteiras e a capacidade de resistência dos povos. Uma única imagem pode sintetizar uma realidade complexa, comunicar emoções profundas e permanecer como testemunho histórico para as futuras gerações.
No contexto da fé cristã, o trabalho do fotógrafo assume uma dimensão ainda mais profunda. A tradição da Igreja reconhece em Santa Verônica a padroeira dos fotógrafos. Segundo a piedosa tradição, foi ela quem, durante a Paixão de Cristo, enxugou o rosto de Jesus a caminho do Calvário, tendo os traços de Sua face impressos no véu que carregava. Esse gesto tornou-se símbolo da imagem que nasce do encontro com o sagrado — uma imagem que não é simples reprodução, mas revelação.
Fotografia "Porque tive fome, e não me destes de comer" - estilo fotojornalismo/documental - Foto: Pe. Renan Dantas
A fotografia, assim como o véu de Verônica, surge do contato com a luz e com a realidade. Ela torna próximo aquilo que parecia distante e convida à contemplação do mistério. Por essa razão, a imagem sempre ocupou um lugar importante na comunicação da fé, na catequese e na vivência religiosa do povo.
Batismo na Aldeia Indígena do povo Boe Bororo - MT / Foto: Pe. Renan Dantas.
Cardeal Dom Leonardo Steiner, em Manaus, durante o Encontro da CEAMA 2024 / Foto: Pe. Renan Dantas.
Na vida eclesial, especialmente por meio da Pastoral da Comunicação (PASCOM), o fotógrafo exerce um serviço essencial. Registrar celebrações litúrgicas, gestos pastorais, ações sociais e a vida comunitária não significa apenas documentar acontecimentos, mas testemunhar a presença de Deus na história do povo.
BERNARDO SOARES SÁ FREIRE, 33 ANOS, FOTÓGRAFO
Fotógrafo, Bernardo Soares Sá Freire, 33 anos / Foto: Pascom Santuário Nossa Senhora da Conceição.
A experiência concreta dessa missão pode ser percebida no testemunho de Bernardo Soares Sá Freire, 33 anos, fotógrafo, morador de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, agente da Pastoral da Comunicação (PASCOM) do Santuário Nossa Senhora da Conceição.
“Voltei pra Igreja quando eu e minha esposa buscávamos casar, santificar nossa união. Casamos enquanto estávamos na turma da Crisma 2023–2024.”
O olhar atento para a liturgia despertou também a sensibilidade para a comunicação visual e para a força da imagem como instrumento de evangelização.
“Durante a Missa de Corpus Christi, eu olhava aquela cena linda, o Santuário — até então paróquia — lotado, gente de todas as capelas e paróquias próximas reunidas ali. Em Missa e procissão. Olhava para o alto e pensava: ‘se eu tivesse um drone, gravava e dava esse vídeo pra Igreja’.”
Naquele momento, o sonho ainda parecia distante, sobretudo pelo alto custo dos equipamentos. Mesmo assim, Bernardo iniciou de forma simples, utilizando apenas o celular.
“Como o material de audiovisual é bem caro, ficou como sonho por um tempo. Continuei gravando meu material com o celular e postando em minhas redes, mesmo sem ser membro de nenhuma pastoral.”
O convite para integrar a PASCOM marcou uma virada decisiva em sua caminhada.
Adoração do Santíssimo Sacramento / Foto: Bernardo Soares
“Uma bela tarde, um integrante da PASCOM me enviou mensagem me convidando a participar da pastoral. Ali minha mente explodiu e minha alma ardeu de desejo de melhorar meu material pra Igreja.”
Com o passar do tempo, vieram os estudos, os investimentos e a consolidação do serviço pastoral e profissional.
“Pouco tempo depois consegui o tão sonhado drone e, dois anos depois, cobria a Missa de Corpus Christi, não mais paroquial, mas vicarial, no Parque Oeste, no Rio de Janeiro. Um evento que reuniu mais de 10 mil pessoas.”
A busca pela qualidade e pelo respeito ao sagrado levou Bernardo a aprofundar seus conhecimentos técnicos.
Foto de Drone Missa / Foto: Bernardo Soares
“Comprei minha câmera e estudei fotografia e direção de vídeo, com o intuito de melhorar a qualidade dos vídeos que postávamos. Isso, além de um hobby e de uma paixão, se tornou uma profissão.” Hoje, sua atuação ultrapassa os limites da própria comunidade, alcançando diferentes realidades eclesiais.
“Hoje crio material para paróquias, padres, registro casamentos, batizados e demais sacramentos por todo o Rio de Janeiro. Uma parte desse trabalho é monetizada e outra é feita em caridade, como agradecimento a Deus por nunca ter me deixado desistir de um sonho.”
FAGNER COSTA, 33 ANOS, FOTÓGRAFO, ESPOSO DE ANNA CAROLINA, PAI DE LAURA, LUIZA E DE ANTÔNIO (EM GESTAÇÃO). PERTENCE À DIOCESE DE UMUARAMA (PR) E PARTICIPA DA PARÓQUIA SÃO VICENTE PALLOTTI.
Fotógrafo Fagner Costa, 33 Anos, Membro Da Diocese De Umuarama (PR), Atua Na Paróquia São Vicente Pallotti / Foto: Agência Domine Fotografia Religiosa
“Minha trajetória na fotografia começou em 2016, de forma inesperada, quando fui contratado como designer gráfico no Departamento de Comunicação da Diocese de Umuarama (PR). No segundo dia de trabalho, recebi uma câmera e a missão de acompanhar o bispo em todos os compromissos diocesanos. Naquele momento, eu não dominava técnica, composição ou linguagem fotográfica; fotografava no modo automático, sem formação específica.
Diante dessa responsabilidade, compreendi que não se tratava de improviso, mas de um serviço que exigia preparo. Passei a estudar fotografia de maneira autodidata, por meio de cursos online, vídeos e prática constante, buscando oferecer um trabalho mais qualificado à Igreja.
Em 2017, iniciei minha atuação como fotógrafo autônomo, começando por trabalhos simples enquanto aprimorava a técnica. Paralelamente, minha vivência eclesial sempre foi intensa. Atuei como cerimoniário e, posteriormente, como ministro extraordinário da Sagrada Comunhão, além de participar ativamente da liturgia, de grupos de jovens e do canto. Essa experiência me deu uma compreensão profunda dos ritos, símbolos e tempos litúrgicos, que se tornariam elementos centrais da minha fotografia.
O primeiro grande marco aconteceu em 2018, quando fui convidado a fotografar a ordenação do então seminarista Murilo, hoje sacerdote. Mesmo no início da caminhada, recebi incentivo e confiança que foram decisivos. A partir dessa experiência, passei a atuar de forma mais consciente na fotografia religiosa, embora ainda sem ampla divulgação do trabalho.
Entre 2018 e 2022, fotografei poucas ordenações, não por falta de oportunidades, mas por falta de posicionamento e visibilidade. Essa realidade começou a mudar em 2022, com a ordenação episcopal de Dom Catelan, presbítero do clero da minha diocese e hoje bispo auxiliar do Rio de Janeiro. A celebração reuniu dezenas de bispos e centenas de padres, alcançando repercussão nacional e dando maior visibilidade ao meu trabalho.
A partir desse momento, surgiram convites para fotografar ordenações em outras dioceses, abrindo um novo horizonte profissional. Mais do que crescimento técnico ou reconhecimento, esse processo trouxe também uma exigência pessoal: a de viver com coerência aquilo que passo a registrar. Fotografar o sagrado me levou a uma vida espiritual mais constante e comprometida.
Monjas Carmelitas / Foto: Agência Domine Fotografia Religiosa
Na ordenação presbiteral especificamente, utiliza-se o Santo Crisma para ungir as mãos do novo sacerdote, simbolizando que ele agirá em nome de Cristo, o Ungido do Pai / Foto: Agência Domine Fotografia Religiosa
Hoje compreendo que a fotografia religiosa não foi uma escolha planejada, mas um chamado. Deus conduziu esse caminho por meio de pessoas concretas e experiências inesperadas, transformando uma necessidade profissional em vocação.
Atualmente, trabalho ao lado da minha esposa. Somos nós dois na fotografia. Neste momento, ela fará uma pausa — estamos esperando nosso terceiro filho —, mas seguimos firmes na missão que nos foi confiada.
O início foi improviso, crescimento, obediência, a permanência, fidelidade.”
Uma imagem bem construída comunica antes das palavras, alcança diferentes públicos e permanece como sinal da fé vivida. Na evangelização, a fotografia aproxima, desperta interesse, educa o olhar e fortalece o sentimento de pertença à comunidade eclesial.
Fotografar o sagrado, no entanto, exige sensibilidade, ética e respeito. Não se trata de espetacularizar a fé ou transformar a liturgia em produto visual, mas de comunicar o mistério com profundidade, discrição e verdade. Quando colocado a serviço da evangelização, o trabalho do fotógrafo contribui para que o sagrado seja reconhecido também no cotidiano, nos gestos simples, nos rostos e nos silêncios.
Celebrar o Dia do Fotógrafo é reconhecer o valor desses profissionais e agentes pastorais que, com olhar atento e compromisso ético, ajudam a construir a memória da sociedade e da Igreja. São eles que transformam o instante em testemunho e revelam, por meio da imagem, o humano e o divino presentes na história.
Que o exemplo de Santa Verônica inspire todos os fotógrafos a exercerem sua missão com responsabilidade, sensibilidade e fidelidade à verdade, para que cada fotografia seja mais do que um registro: seja um sinal que conduza à reflexão, à justiça e ao encontro com o sagrado.
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