18 DE SETEMBRO DE 1950: DA PRIMEIRA TRANSMISSÃO À EVANGELIZAÇÃO: A HISTÓRIA DA TELEVISÃO NO BRASIL

Já perguntou aos seus avós, mães, pais ou aos seus irmãos se eles se lembram da primeira televisão que viram e de algum programa marcante daquela época? Há 76 anos, a televisão chegava oficialmente ao Brasil. Desde então, o meio de comunicação transformou hábitos, aproximou pessoas e se tornou um importante espaço para a evangelização e a presença da Igreja na sociedade.

Notícias da Diocese

18.09.2026 - 07:33:00 | 12 minutos de leitura

18 DE SETEMBRO DE 1950: DA PRIMEIRA TRANSMISSÃO À EVANGELIZAÇÃO: A HISTÓRIA DA TELEVISÃO NO BRASIL

Em 18 de setembro de 1950, o Brasil entrava oficialmente na era da televisão. Naquela noite, em São Paulo, a TV Tupi realizava sua primeira transmissão, marcando o início de uma nova etapa na história da comunicação brasileira.

 

A iniciativa foi liderada pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand, que apostou em uma tecnologia ainda desconhecida pela maior parte da população. Naquele período, os aparelhos de televisão eram caros e pouco acessíveis. Por isso, muitas pessoas acompanharam as primeiras transmissões reunidas em lojas, clubes, bares e outros espaços públicos que possuíam um aparelho.

 

Esta imagem retrata o icônico Índiozinho da TV Tupi (Rede Tupi de Televisão), o primeiro e mais famoso símbolo da emissora e da própria televisão brasileira, inaugurada em 18 de setembro de 1950 por Assis Chateaubriand.

 

O primeiro programa exibido recebeu o nome de “TV na Taba”. As transmissões eram realizadas ao vivo e em preto e branco, em uma época em que a televisão ainda dava seus primeiros passos e precisava construir uma linguagem própria.

 

A chegada da televisão representou mais do que o surgimento de um novo aparelho doméstico. Ela inaugurou uma nova maneira de informar, educar, entreter e aproximar as pessoas de acontecimentos que antes pareciam distantes.

 

Santa Clara de Assis e a televisão

 

Santa Clara de Assis - Considerada a Padroeira da Televisão.

 

A história da televisão também está relacionada, na tradição católica, a Santa Clara de Assis, considerada a padroeira da televisão.

 

Segundo uma antiga tradição, durante uma enfermidade, Clara não teria conseguido acompanhar presencialmente a celebração do Natal. Recolhida em seu quarto, teria experimentado de forma extraordinária a possibilidade de acompanhar a celebração à distância, ouvindo e vendo aquilo que acontecia na igreja.

 

A tradição foi posteriormente associada àquilo que a televisão faria séculos depois: levar imagens e sons de acontecimentos para pessoas que não estavam fisicamente presentes.

 

Em 1958, o Papa Pio XII proclamou Santa Clara de Assis como padroeira da televisão. A escolha expressava uma compreensão de que os novos meios de comunicação poderiam ser colocados a serviço da verdade, da cultura e da evangelização.

 

A relação entre Santa Clara e a televisão, portanto, tornou-se uma imagem significativa para a comunicação católica: estar presente, por meio dos recursos disponíveis, na vida de pessoas que não podem estar fisicamente no mesmo lugar.

 

A presença católica na televisão brasileira

 

 

A presença da Igreja Católica na televisão brasileira foi construída gradualmente. Antes do surgimento das grandes redes nacionais de inspiração católica, algumas iniciativas locais já buscavam utilizar o meio televisivo como instrumento de comunicação, formação e evangelização.

 

Um dos marcos dessa trajetória foi a TV Difusora de Porto Alegre, ligada aos frades capuchinhos. A emissora entrou no ar em 1969 e tornou-se uma referência histórica da presença de religiosos católicos na televisão brasileira.

 

A experiência mostrou que a Igreja poderia ocupar também o espaço televisivo para comunicar a fé e dialogar com a sociedade por meio de uma linguagem própria daquele novo meio.

 

Nas décadas seguintes, outras iniciativas contribuíram para ampliar essa presença. Entre elas está a TV Canção Nova, que iniciou suas atividades em 1989, a partir do projeto de comunicação idealizado pelo então monsenhor Jonas Abib, em Cachoeira Paulista (SP).

 

A iniciativa cresceu e passou a alcançar diferentes regiões do país, consolidando a televisão como uma importante ferramenta de evangelização.

 

A Rede Vida e um novo momento da comunicação católica

 

É nesse processo histórico que surge a Rede Vida de Televisão, fundada pelo jornalista, radialista e empresário João Monteiro de Barros Filho.

 

Inaugurada em 1995, a emissora representou um novo momento para a comunicação católica brasileira ao estruturar uma programação de alcance nacional voltada à vida da Igreja, à celebração da fé, à informação, à formação e à evangelização.

 

João Monteiro de Barros Filho nasceu em Barretos (SP), em 5 de novembro de 1938, e construiu uma longa trajetória na comunicação brasileira. À frente do Grupo Monteiro de Barros, levou para a televisão o projeto de uma emissora com identidade católica e presença em diferentes regiões do país.

 

A criação da Rede Vida ajudou a ampliar o alcance da comunicação religiosa no Brasil. Missas, celebrações, entrevistas, notícias, programas de formação e conteúdos voltados à família passaram a chegar a diferentes públicos por meio da televisão.

 

Em memória de + João Monteiro de Barros Filho

 

+ João Monteiro de Barros Filho faleceu em 10 de setembro de 2026 - Foto: Divulgação

 

Ao contar essa história, também é importante fazer memória de seu fundador. João Monteiro de Barros Filho faleceu em 10 de setembro de 2026, aos 87 anos, em Barretos, deixando uma trajetória marcada pela comunicação brasileira e pela criação da Rede Vida.

 

Sua história se entrelaça com um período de profundas transformações nos meios de comunicação. Da televisão aberta às transmissões via satélite e, posteriormente, ao ambiente digital, a comunicação católica passou por diferentes etapas, acompanhando as mudanças tecnológicas e culturais da sociedade.

 

Fazer memória de João Monteiro é recordar também uma geração de comunicadores que acreditou que os meios de comunicação poderiam ser colocados a serviço da evangelização.

 

Seu trabalho integra a história de uma Igreja que, ao longo das décadas, procurou estar presente onde as pessoas estavam: primeiro pelo rádio, depois pela televisão e, hoje, também pelas plataformas digitais e pelas redes sociais.

 

A televisão e a evangelização

 

 

A Fundação Rádio e TV Educativa de Juína (TV Nazaré de Juína) atua desde 7 de novembro de 2004

 

 

 

Com a expansão da televisão, a Igreja encontrou novas possibilidades para cumprir sua missão de anunciar o Evangelho. A celebração da Eucaristia, a oração, a catequese, a formação bíblica, as notícias da Igreja e os acontecimentos das comunidades passaram a ocupar espaço na programação televisiva.

 

A televisão permitiu que uma celebração realizada em uma determinada cidade pudesse alcançar pessoas em diferentes regiões. Da mesma forma, entrevistas, testemunhos e programas de formação passaram a entrar na rotina de famílias que acompanhavam a programação religiosa em casa.

 

Ao longo dos anos, emissoras como Rede Vida, Canção Nova, TV Aparecida, TV Evangelizar, TV Nazaré, TV Horizonte, TV 3º Milênio e Rede Século 21, entre outras iniciativas, contribuíram para ampliar a presença da comunicação católica na televisão brasileira.

 

Cada projeto desenvolveu linguagens, formatos e propostas próprias, mas todos fazem parte de uma história maior: a busca da Igreja por utilizar os meios de comunicação para anunciar a fé e dialogar com a sociedade.

 

Da televisão em preto e branco à era digital

 

A televisão brasileira passou por profundas transformações desde 1950. Na década de 1960, o aparelho começou a se tornar mais presente nos lares. Em 1972, ocorreu a primeira transmissão oficial em cores, durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), inaugurando uma nova etapa tecnológica.

 

Nas décadas de 1970 e 1980, a televisão se consolidou como um dos principais meios de comunicação do país. Posteriormente, a chegada da televisão por assinatura, das transmissões via satélite e das novas tecnologias ampliou ainda mais as possibilidades de produção e distribuição de conteúdo.

 

No início dos anos 2000, a digitalização começou a transformar novamente o setor. Em 2 de dezembro de 2007, teve início oficialmente a transmissão da televisão digital terrestre no Brasil. A mudança tecnológica trouxe melhor qualidade de imagem e som, mas também preparou o caminho para uma transformação ainda maior: a integração entre televisão e internet.

 

Hoje, uma celebração pode ser transmitida simultaneamente pela televisão, pelo YouTube, pelo Facebook, pelo Instagram e por diferentes plataformas digitais. A comunicação deixou de depender de um único aparelho.

 

A televisão durante a pandemia

 

Informação com segurança: bastidores de entrevista da TV Aparecida - SP no período de enfrentamento à Covid-19 - Foto: Divulgação

 

Essa realidade ficou ainda mais evidente durante a pandemia da Covid-19. Com as restrições sanitárias e a suspensão temporária das celebrações públicas em diferentes períodos, milhares de pessoas ficaram impossibilitadas de participar presencialmente das Missas e de outras atividades comunitárias.

 

Nesse contexto, a televisão tornou-se para muitas famílias uma das principais formas de acompanhar as celebrações e permanecer conectadas à vida da Igreja. Missas transmitidas pelas emissoras católicas entraram na rotina de pessoas idosas, enfermas, famílias e comunidades que precisavam manter a experiência de oração mesmo diante do isolamento.

 

Ao mesmo tempo, a internet ganhou uma dimensão ainda maior. Paróquias, dioceses, comunidades e movimentos passaram a realizar transmissões pelas redes sociais, criando formas de presença pastoral. A experiência mostrou que a comunicação não é um elemento secundário da missão. Em momentos de crise, ela pode ser fundamental para manter vínculos, transmitir esperança e fortalecer o sentimento de pertença à comunidade.

 

Da televisão ao ambiente digital

 

 

A história da televisão não termina com a chegada da internet. Pelo contrário, os dois meios passaram a conviver e se complementar. 

 

Hoje, uma emissora de televisão também pode produzir conteúdo para redes sociais, aplicativos, sites e plataformas de vídeo. Uma paróquia pode transmitir uma Missa pela internet sem possuir uma emissora própria. Um comunicador pode produzir uma reportagem com um telefone celular e alcançar pessoas em diferentes lugares do mundo. Essa transformação exige também uma mudança na maneira de pensar a comunicação.

 

Não basta estar presente em uma plataforma. É preciso compreender sua linguagem, conhecer o público, produzir conteúdo de qualidade e, sobretudo, manter o sentido da missão.

 

Para a Igreja, o desafio não é simplesmente acompanhar cada nova tecnologia. É discernir como utilizá-la para promover o encontro, a comunhão, a verdade e o anúncio do Evangelho. A história da televisão brasileira também oferece uma reflexão para os comunicadores de hoje.

 

Desde os primeiros profissionais que trabalharam diante das câmeras em 1950 até os produtores de conteúdo que atualmente trabalham com celulares, redes sociais e inteligência artificial, existe uma mesma responsabilidade: comunicar com verdade, responsabilidade e respeito à dignidade humana.

 

Na comunicação católica, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior.

 

O comunicador não é apenas alguém que produz uma notícia ou administra uma rede social. Ele pode ser chamado a construir pontes entre a Igreja e a sociedade, entre a comunidade e aqueles que estão distantes, entre a informação e a formação, entre a realidade cotidiana e a mensagem do Evangelho. Por isso, comunicar exige escuta.

 

Antes de pensar apenas no alcance de uma publicação, é preciso perguntar a quem aquela mensagem serve. Antes de buscar somente audiência, é necessário considerar se o conteúdo contribui para aproximar, esclarecer, formar e acolher.

 

A tecnologia oferece ferramentas cada vez mais poderosas. Mas nenhuma ferramenta substitui a sensibilidade humana, a escuta e a capacidade de compreender a realidade das pessoas.

 

Uma comunicação que cria pontes

 

 

Em 1950, poucas pessoas imaginavam que uma transmissão experimental pudesse transformar tão profundamente a sociedade brasileira. Hoje, também é difícil prever até onde chegarão as novas tecnologias de comunicação.

 

A televisão mudou a maneira de contar histórias. A internet mudou a maneira de distribuí-las. As redes sociais mudaram a maneira de interagir. A inteligência artificial começa a transformar novamente os processos de produção, edição e circulação de informações.

 

Diante dessas mudanças, permanece uma questão essencial: para que comunicamos?

 

Dom Neri José Tondello acompanha ao vivo, direto dos estúdios da TV Nazaré de Juína, o anúncio histórico da eleição do novo Papa - Foto: Pe Renan Dantas 

 

Para a Igreja, a resposta passa pela missão de anunciar o Evangelho e servir à vida das pessoas. A história da televisão brasileira mostra que cada avanço tecnológico pode abrir novas possibilidades de encontro. Da primeira transmissão da TV Tupi às grandes redes nacionais, das emissoras católicas às plataformas digitais, a comunicação continua sendo um território de presença e missão.

 

Ao fazer memória de Santa Clara de Assis, padroeira da televisão, e de comunicadores como + João Monteiro de Barros Filho, é possível reconhecer uma história construída por pessoas que acreditaram na força dos meios de comunicação para aproximar realidades e levar mensagens de esperança.

 

Da televisão às novas mídias, cada avanço tecnológico pode se tornar uma oportunidade de evangelização. O desafio dos comunicadores é fazer com que essa tecnologia esteja sempre a serviço do encontro, da verdade, da dignidade humana e da missão de comunicar o Evangelho.

 

Linha do tempo da televisão no Brasil

 

1950 — Em 18 de setembro, a TV Tupi realiza sua primeira transmissão oficial em São Paulo. 1950 — Como os aparelhos eram caros e raros, muitas pessoas acompanham as primeiras transmissões em espaços públicos.

 

Década de 1950 — A televisão começa a se expandir e novas emissoras são criadas em diferentes regiões. 1958 — Santa Clara de Assis é proclamada pelo Papa Pio XII como padroeira da televisão.

 

Década de 1960 — A televisão amplia sua presença nos lares brasileiros e consolida novos formatos de programação. 1969 — A TV Difusora de Porto Alegre, ligada aos frades capuchinhos, entra no ar e se torna um marco da presença católica na televisão brasileira. 1972 — O Brasil realiza sua primeira transmissão oficial em cores, durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS).

 

Décadas de 1970 e 1980 — A televisão se consolida como um dos principais meios de comunicação do país. 1989 — A TV Canção Nova inicia suas atividades, ampliando a presença católica na televisão. 1995 — É inaugurada a Rede Vida de Televisão, fundada por João Monteiro de Barros Filho. 1990–2000 — A comunicação católica amplia sua presença por meio de diferentes emissoras e redes de televisão.

 

2000 em diante — O processo de digitalização transforma a produção e a distribuição de conteúdos televisivos. 2007 — Começam oficialmente as transmissões da televisão digital terrestre no Brasil. 2020 — Durante a pandemia da Covid-19, a televisão e a internet tornam-se importantes meios para acompanhar celebrações religiosas e manter vínculos comunitários. 2020 em diante — Televisão, internet, redes sociais e plataformas de vídeo passam a atuar de maneira cada vez mais integrada. 2026 — A comunicação católica vive um cenário multiplataforma, no qual televisão, rádio, sites, redes sociais, streaming e novas tecnologias convivem como instrumentos de informação, formação e evangelização.

 

Fonte Padre Renan Dantas - Jornalista, Diocese de Juína | Pastoral da Comunicação
Imagem Divulgação
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